Do que sua coluna precisa pra ser saudável?

Do que sua coluna precisa pra ser saudável?

Hoje um aluno me perguntou: Silvia, qual exercício é bom pra coluna? E eu respondi: Quando você faz essa pergunta, o que você quer? Sente que sua coluna precisa de quê? E ele me disse: Algo que a alongue, flexibilize, proporcione espaço entre as vértebras, e que trabalhe também a parte energética.

Mesmo sem perceber, nossas dúvidas estão permeadas de uma visão científica; racionalizamos e separamos nosso corpo por partes, assim como a medicina com suas especialidades. Então, queremos uma receita, um exercício pronto que nos leve diretamente ao que desejamos.

Mas a resposta para essa questão específica é um pouco mais abrangente: o yoga é um sistema holístico que “se baseia na unificação da mente, do corpo e da alma, melhorando o bem-estar mental, físico e espiritual das pessoas.”

Como professora de yoga, sei que para entendermos, explicarmos ou demonstrarmos algo, precisamos de uma didática para apresentar o assunto por partes. E para mostrar o caminho das pedras de como cuidar bem da sua coluna, sugiro que você, que também quer beneficiar todo o seu organismo por meio da saúde da coluna, entenda e pratique os cinco movimentos da coluna, estimulando beneficamente tanto o físico – músculos, tendões, articulações, sistema nervoso – quanto a fisiologia sutil, nossa parte energética, que no yoga é chamada de nadis ou canais de energia. A confluência dos nadis forma vórtices chamados de chackras (rodas de luz), e os 7 principais estão ao longo da coluna vertebral. Por meio da prática de yoga, com seus cinco movimentos da coluna, é possível desobstruir esses canais energéticos.

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É excelente o questionamento feito por meu aluno, pois nos leva a essa busca por autoconhecimento, isto é, aprender a como utilizar os instrumentos que o hatha yoga oferece para nos tornarmos mais saudáveis no corpo físico e sutil.

Afinal, todos nós somos capazes de fazer essa investigação inteligente e simples, e, assim, ter acesso a esse autocuidado que só o yoga pode nos proporcionar.

Namastê!

Silvia Oliveira

Autoestima

Autoestima

Como buscar o equilíbrio sem pender nem para o egoísmo nem para a falta de amor próprio?

Sabemos como autoestima é importante, mas como encarar esse assunto num mundo que cultiva os extremos? Desde momentos em que o indivíduo está tão imerso em seus próprios problemas, sem sequer dar importância ao que acontece ao redor, até o ponto da falta de amor próprio, visível por meio de sintomas, como depressão e desgosto de viver.

O que fazemos para entrarmos em contato conosco? Pode ser que, mesmo que queiramos, não saibamos a quem ou a que recorrer para encontrar apoio e conforto. Então, comumente, costumamos buscar os métodos mais conhecidos; dentre esses, um dos mais utilizados é o livro de autoajuda. Mas, esse meio costuma ter muitas influências distorcidas pela mídia em relação a como devemos nos comunicar com o nosso interior e ao modo como nos percebemos. Temos como exemplo, as influências que defendem a visão de que a autoajuda é contrária ao desenvolvimento espiritual, e as inversas, afirmando que essa serve como uma varinha mágica contra os problemas.

Portanto, precisamos de um caminho que nos ajude sem segundas intenções nem influências externas. Na verdade, algo que venha de dentro para fora. Logo, conhecer a si mesmo é a melhor saída.

Encontramos na prática do hatha yoga e seus preceitos éticos um farol que nos conduz a uma trilha que nos encoraja no processo de autorreflexão e autoconhecimento. Entendendo nossos próprios limites podemos enxergar nossas reais potencialidades. Assim, não inflaremos o próprio ego e tampouco nos subestimaremos.

 

 

Como o yoga pode nos ajudar a fortalecer a autoestima de forma equilibrada?

Quando integramos o entendimento da consciência corporal, mental e respiratória à prática do hatha yoga, nosso cérebro libera os comandos para que estejamos mais contentes, focados e lúcidos. Assim, fica mais fácil perceber as próprias emoções e ter mais discernimento de como amar a si mesmo e aos demais na medida certa.

Não temos a ideia exata de qual é essa medida certa, mas com o yoga teremos os instrumentos de autocuidado, os quais sempre poderemos pôr em prática por meio de exercícios, desde psicofísicos e respiratórios até de meditação e concentração, para assim continuarmos em busca da resposta.

Assim, onde quer que estejamos, poderemos nos utilizar dessas ferramentas de autoconhecimento, que irão nos trazer bem-estar e qualidade de vida.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Permita-se descansar!

Permita-se descansar!

Quantas vezes paramos para absolutamente não fazer nada? E mesmo que estejamos “descansando”, será que nossa mente está tranquila? Dificilmente. Por que para uma pessoa que trabalha ou estuda, um momento de tranquilidade física e mental é tão raro? É tão difícil assim desacelerar o ritmo?

Muitas vezes, quem pratica yoga ouve comentários como: “yoga é muito parado”; “a única coisa que se faz é relaxar e ficar cantando aqueles mantras esquisitos”. Normalmente, a pessoa que pratica yoga lhe pergunta prontamente intrigada: “você já experimentou?”. E acrescenta: “Porque o yoga que eu conheço não é bem assim“.

Já que relaxar é algo prazeroso e revigorante, por que será que costuma ser encarado como algo secundário, sem importância? Provavelmente por conta de vivermos em uma sociedade em que temos de fazer muitas coisas em pouco tempo, onde a tecnologia da comunicação instantânea cultiva em nós a pressa.

No contexto do hatha yoga, relaxar pode ser traduzido como auto-observação. Numa aula de yoga completa, entre exercícios psicofísicos e respiratórios, teremos momentos alternados de exigência e relaxamento. Mesmo em meio a uma posição de yoga (asana) exigente, buscamos desfazer o esforço interno tanto o físico quanto o mental.

E, normalmente, quase no fim da aula, temos um momento específico chamado de yoga nidra (relaxamento consciente), um exercício conduzido, praticado em uma posição chamada shavasana (posição do morto); treinamos a imobilidade física e autoentrega interna, algo que nem sempre é fácil. Essa parte da aula de yoga permite que se assimile os benefícios da prática e prepara você para a meditação.

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A história de importantes personalidades como Arquimedes e Albert Einstein nos mostra como grandes ideias nascem em meio ao relaxamento. Hoje, a ciência comprova que as grandes ideias vêm do hemisfério direito do cérebro e, para que ele trabalhe, temos de estar relaxados.

Apesar da correria do dia a dia, que nos leva a acreditar que relaxamento é perda de tempo, podemos perceber como é algo essencial.

Ele nos coloca em um estado propício às inspirações que, colocadas em prática, serão transformadoras e poderão nos trazer mais equilíbrio.

Namastê!

Silvia Oliveira

Como se manter zen?

Como se manter zen?

Após um excelente fim de semana, você sai de casa todo animado. Poucos minutos depois, está no meio de um engarrafamento. Pronto! A sensação de bem-estar foi pelos ares. Como você pode aprender a se controlar? A prática de hatha yoga pode ajudá-lo.

Já notou como, o tempo todo, seus cinco sentidos demandam sua atenção? Recebemos cada vez mais estímulos, que podem ser tranquilizadores ou estressantes, muitas vezes de forma agressiva, como a poluição visual, auditiva e do ar que respiramos. A prática do pratyahara, que recolhe a mente dos sentidos, pode fazer muito bem para você no dia a dia.

Conhecendo a base que fundamenta toda a prática do hatha yoga, percebemos que esse quinto importante passo – pratyahara, que é a concentração de nossas forças mentais no interior do ser, é primordial para introduzir a meditação em nossos hábitos. Embora o estudo e a descrição do ashtanga yoga – ou yoga de oito partes, seja feito separadamente, ele está presente em todos os momentos da prática de yoga.

Voltemos ao exemplo do engarrafamento e de sua interferência sobre nós. Ao dirigir, o ideal é que, haja o que houver, você se mantenha concentrado e conserve o autocontrole para que possa tirar o melhor proveito do momento presente e ter bons desdobramentos, além de evitar acidentes e preservar sua saúde física e mental. Falar é fácil, não é? Porém, o que fazer quando fatores externos tentam desviá-lo disso?

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Como a prática de yoga me ajuda a me manter mais concentrado?

Tudo o que você faz durante a aula de yoga com o corpo (asanas), a respiração (pranayama), a mente (samyama) e o aprendizado ético de como se relacionar com os demais e consigo mesmo (yamas e niyamas) pede o exercício constante de concentração (pratyahara). E assim, você leva para a vida tudo que pratica no yoga e vice-versa, e quando menos esperar, seu olhar e sua conduta em relação aos acontecimentos e às pessoas vão estar mais atentos e contemplativos, e você, mais feliz e presente em tudo o que faz! Ou, ao menos, vai notar quando estiver longe disso e, assim, vai conseguir encontrar o caminho de volta ao “ser”.

Tome as rédeas de seu autocontrole e aprenda a treinar sua concentração.

Namastê!

Silvia Oliveira

O guerreiro 007 do yoga

O guerreiro 007 do yoga

Já se perguntou por que um sorriso no semblante sempre ajuda?

Pode ser um exercício de força de vontade expressar um sorriso em meio a uma situação difícil. Mas você se surpreenderá com os benefícios que essa atitude feita conscientemente é capaz de trazer.

Sorrir no rosto e na mente é algo treinável, assim como tudo na vida.

O contentamento, que é um dos preceitos éticos do yoga, dá sustentação a esse exercício que se retroalimenta. Praticamos no físico, influenciando a mente, e assim convencemos o cérebro, que envia comandos para o corpo responder de maneira positiva.

Sorrir pode ajudar a diminuir a quantidade de hormônios que elevam o estresse, como o cortisol, a adrenalina e a dopamina. E aumenta os níveis de neurotransmissores como endorfina e serotonina, que estimulam a sensação de bem-estar, melhoram o humor e previnem a depressão.

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Como o sorriso no semblante te ajuda na prática do yoga?

Em todos os asanas do hatha yoga, independentemente do grau de dificuldade – que pode variar de pessoa para pessoa –, temos de dar atenção para vários aspectos em um só momento. Observamos os ajustes no corpo, qual tipo de respiração a posição pede, e cultivamos o estado de presença, trazendo a mente para o momento presente.

O desafio e treino que o yoga proporciona é conciliar essas várias exigências e ao mesmo tempo desfazer o esforço interno, o esforço mental.

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É desafiador sorrir em meio a uma posição de yoga exigente, como por exemplo a posição do guerreiro (acima) e suas variações, pois esses asanas demandam equilíbrio, força e resistência. É o “Guerreiro 007 do Yoga”, em que você está em meio a uma batalha, alinhando e ajustando corpo, respiração e mente, e mesmo assim não deixa escapar o sorriso do semblante. Assim como o agente 007 dos filmes.

Tudo que treinamos durante a aula de yoga pode ser estendido para o nosso dia a dia. Gera-se um condicionamento positivo, que interliga cérebro, mente e corpo e faz com que as respostas frente os problemas diários se tornem mais centradas. O alinhamento do corpo, a melhora na postura e o sorriso no semblante ficam mais fáceis. Por meio dessa prática, mesmo numa situação mais difícil é possível acessar o seu “guerreiro 007 interior”.

Namastê!

Silvia Oliveira

Estresse é cumulativo; paz também!

Estresse é cumulativo; paz também!

O estresse é cumulativo e é somatizado no corpo, na mente e na respiração; além disso, se externa em forma de doenças físicas e/ou psíquicas, mostrando o que está acontecendo internamente.

Sem perceber, cultivamos pensamentos, sentimentos e crenças de preocupação, ansiedade e pessimismo. Isso, muitas vezes, é justificável, porém mesmo tendo motivos, precisamos encontrar um caminho interno de tranquilidade. Do contrário, seremos os primeiros a pagar o preço desse estresse que funciona como veneno em nosso organismo.

Percebemos que temos de nos desestressar, encontrar formas de relaxar, administrar o estresse, nos entender. Para isso, temos de encontrar tempo de qualidade para treinar esse mergulho interno, esse autoconhecimento. Talvez você não tenha tempo, mas pode acessar ferramentas que o ajudem a centrar-se durante o seu dia a dia.

Assim como a tensão se acumula, é possível estocar equilíbrio, tranquilidade e foco. O hatha yoga oferece esses instrumentos de autocuidado que você pratica durante a aula de yoga,  e também consegue aplicá-los à vida. Por meio do yoga, você saberá como acalmar-se e ter uma nova perspectiva da situação.

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O hatha yoga é considerado pela UNESCO  Patrimônio da Humanidade, pois a organização reconhece que “se baseia na unificação da mente, corpo e alma, melhorando o bem-estar mental, físico e espiritual das pessoas.”.

Por que o yoga é tão completo?  Porque vai além do físico, trabalhando não apenas aspectos corporais, tais como alongamento, postura, amplitude articular e muscular, mas também a melhora de um âmbito interno, mental e psicológico. É capaz de juntar a consciência corporal, a respiratória e a mental.

Praticar hatha yoga coloca você num círculo virtuoso, em que uma coisa boa leva a outra. Trabalhar o corpo, a respiração e a concentração, em meio a uma atitude mental contente, é capaz de conduzir à facilidade em acessar um estado de espírito mais confiante e sereno, que o ajudarão a se superar.

Namastê!

Silvia Oliveira

Preceitos éticos do yoga – yamas e niyamas

Preceitos éticos do yoga – yamas e niyamas

O Yoga é  um sistema composto de oito etapas. É como se fosse uma longa e maravilhosa caminhada subdividida em oito grandes passos. Esses passos são bem descritos no texto mais antigo que se conhece sobre o assunto, o Yoga Sutras, escrito por Patanjali, o grande filósofo indiano do século VI a.C.

Para percorrer o caminho, o praticante deve observar sempre os dois preceitos éticos que dão sustentação a todo o sistema. Esses preceitos éticos, os yamas (disciplina externa) e os niyamas (disciplina interna), se tratam de atitudes primordiais que desenvolvem a saúde mental.

Os cinco yamas são:

Ahimsa: não violência;

– Satya: verdade / não mentir;

– Asteya: não roubar;

– Brahmacharya: fazer tudo muito bem feito, da melhor maneira que você conseguir;

– Aparigraha: não acumular / desenvolver o desapego.

Os cinco niyamas são:

– Sauca: pureza / limpeza;

– Santosha: contentamento;

– Tapas: perseverança / disciplina;

– Svadhyaya: auto estudo;

– Isvara-Pranidhana: caminho espiritual.

Os preceitos éticos acima precedem asanas (exercícios psicofísicos), pranayama (exercícios respiratórios)pratyahara (abstração dos sentidos) e samyama (yoga mental).

Pode-se notar que para ser bem-sucedido em sua prática de yoga, é necessário esforçar-se em desenvolver atitudes que expressem a saúde interna (psíquica e espiritual) com os demais e consigo mesmo.

São preceitos encontrados em várias épocas e culturas no mundo e, por isso, Patanjali os chama sarvabhauma, supremos ou universais, pois eles valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.

Namastê!

Silvia Oliveira

Dicas para facilitar a meditação

Dicas para facilitar a meditação

Quando analisamos a base que fundamenta o yoga, percebemos que todos os passos dessa metodologia se propõem a nos conduzir à autorrealização, também conhecida como samadhi, que é o oitavo e último passo. Nessa jornada, percorremos um caminho que desenvolve nossos aspectos sutis e densos desde preceitos éticos e comportamentais – relacionamentos, trabalho corporal, trabalho respiratório – até o mental (samyama) por meio de concentração e meditação.
Sabemos que toda jornada começa com o primeiro passo e, na trilha do yoga, tudo é prático desde o início. Temos de experimentar para entender; vivenciar para aprimorar.

Esse sistema é apresentado em oito passos com o intuito de ser mais didático, porém todas essas etapas estão em constante interação. Por exemplo, o estado contemplativo da meditação, isto é, o exercício da atenção no momento presente, é constante na prática de yoga.

No hatha yoga, a meditação costuma vir depois de um preparo feito por meio de exercícios psicofísicos e respiratórios, que envolvem também o relaxamento.

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Além disso, existem momentos específicos em que desejaremos nos sentar exclusivamente para meditar. Nesses instantes, talvez nos defrontemos com algumas dificuldades. A principal delas pode ser encontrarmos uma maneira de nos mantermos estáveis e confortáveis física e mentalmente. Normalmente, praticamos a meditação quando estamos sentados. Se você, por qualquer motivo, não sentir estabilidade e conforto enquanto estiver sentado na almofada sobre o chão, sente-se em uma cadeira, um banco ou uma poltrona. O primordial é estar com a coluna alinhada.

Uma maneira breve e eficiente de se preparar para meditar é fazer uma sequência que trabalhe tanto os cinco movimentos da coluna como a consciência na respiração.

Assim, você vai alongar, estimular beneficamente o sistema nervoso, se concentrar e desfazer as estagnações de energia em seus principais vértices (chakras), que estão localizados ao longo da linha do meio do corpo.
Prepare, portanto, sua fisiologia física e sutil para a meditação; e assim facilitar sua prática com essas dicas.
Logo traremos sequências de cinco movimentos da coluna para realizar tanto sentado na cadeira, quanto no chão.

Namastê!
Silvia Oliveira

O que você pensa sobre yoga? Conheça o outro lado da moeda

O que você pensa sobre yoga? Conheça o outro lado da moeda

“Você precisa aprender a ficar imóvel em meio a uma atividade, e a ser vibrantemente vivo em repouso.”

Mahatma Gandhi

Muitas pessoas tem a ideia de que praticar yoga é algo parado e lento, no qual a única coisa feita é entoar o OM e relaxar. Caso você seja uma dessas pessoas, eu te convido a conhecer o outro lado da moeda: o que o yoga pode fazer por você.
Embora o hatha yoga seja praticado de forma sutil, ele trabalha em nós força, resistência e equilíbrio. Não é apenas sobre ficar parado em uma posição, pois por conta dele sempre haverá um vibrante dinamismo internamente. E também o contrário, pois um asana pode exigir bastante fisicamente e mesmo assim se estar tranquilo e relaxado por dentro.
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Através de exercícios psicofísicos e respiratórios, relaxamento, técnicas de meditação e concentração somos conduzidos a esse desenvolvimento.
Esse auto conhecimento acontece porque o yoga vai além do físico, não trabalhando apenas aspectos corporais, tais como alongamento, postura, amplitude articular e muscular. Trabalha também na melhora de um âmbito interno, mental e psicológico. É capaz de juntar em um só a consciência corporal, a respiratória e a mental.
Se o yoga é tão completo, de maneira que a ciência atesta os benefícios desse sistema e a mídia divulga esses estudos, então porque algumas pessoas, mesmo curiosas, são resistentes em experimentar?
Muito se deve a forma como o yoga tem sido apresentado ao longo do tempo por algumas linhas e sistematizações. Por vezes de maneira demasiado mística, repleta de credos e superstições; um exemplo disso seria afirmar que o yoga é preferencial para determinada faixa etária, sexo e/ou religião. Estas questões podem atrair alguns, enquanto comumente afasta vários outros.
A prática de yoga é para todos, tanto que em 2016 a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) declarou o yoga Patrimônio da Humanidade, pois reconhecem que “se baseia na unificação da mente, corpo e alma, melhorando o bem estar mental, físico e espiritual das pessoas.”
Então lhe deixo aqui o desafio de experimentar, ou caso já conheça, aprimorar essa prática que, conforme a UNESCO, influenciou numerosos aspectos da sociedade, desde a saúde até a educação e as artes.
Quando decidimos encarar esse desafio, normalmente, antes de iniciar, fazemos uma pesquisa sobre escolas de yoga, professores e seus métodos de ensino. Se estiver nesse momento de vida, sugiro que se utilize de um dos princípios éticos do hatha yoga: o autoestudo (svadhyaya). Evitando assim, aceitar com fé cega tudo o que lê, ouve ou encontra. E deste jeito, poderá explorar plenamente esse universo do yoga, se utilizando do viveka: discernimento.
Namastê!
Silvia Oliveira
Os cinco movimentos da coluna e seus benefícios

Os cinco movimentos da coluna e seus benefícios

“Não sacrifique o instinto do corpo pela glória da postura.”
Vanda Scaravelli

Com a realização dos cinco movimentos que a coluna pode fazer, adquirimos mais saúde, flexibilidade e autoconhecimento. Mas, para que o ganho seja real, consistente, esses movimentos devem ser realizados com consciência – uma vez que no hatha yoga eles fazem parte de um sistema pelo qual buscamos o entendimento prático de como respirar, como pensar, e como alinhar-se nos asanas (posições). Vejamos em detalhes quais são esses cinco movimentos.

– Flexão da coluna. Nos exercícios que objetivam a flexão da coluna, inclinamos o tronco para frente ou aproximamos o tronco das coxas. Assim, alongamos os músculos posteriores do corpo. As posições de flexão estimulam a digestão, aumentam a flexibilidade dorsal e acalmam o organismo. Veja a seguir uma das posturas desse tipo de flexão.

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balasana
posição da criança, posição do embrião
bala = jovem, infantil, não totalmente desenvolvido

– Extensão da coluna. Nesses exercícios, inclinamos o tronco para trás ou, simplesmente, distanciamos o tronco das coxas, para alongar os músculos anteriores do corpo. As posições de extensão promovem maior mobilidade e flexibilidade da coluna, pois, quando alongamos, expandimos a região torácica, o que é muito revigorante.

bhujangasana

bhujangasana
posição da cobra
bhuja = braço ou ombro + anga = membro

– Inclinação lateral da coluna. Aqui, o corpo se inclina lateralmente com relação a seu eixo, alongando os músculos laterais.

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posição inversa da cabeça no joelho
parivrtta = virar, rolar; janu = joelho; sirsa = tocar com a cabeça

– Torção ou rotação da coluna. Com esses exercícios, o corpo gira em seu próprio eixo, alongando a maioria dos músculos do tronco. As posições de torção ajudam na digestão e na eliminação de toxinas, e tonificam a coluna vertebral. Veja um exemplo.

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ardha matsyendrasana
meia posição do rei dos peixes
ardha = metade; matsya = peixe; indra = governante, rei

– Extensão axial. Com um esforço interno, podemos realizar o quinto movimento da coluna, que busca reduzir, por meio da intenção e da postura, as curvaturas primárias e secundárias que sempre existem quando estamos displicentes. Com essa prática, é possível favorecer a ampliação do espaço entre as vértebras, alongando o comprimento total da coluna.

Durante as aulas, para estimular o aprendizado desse movimento, costumo convidar os meus alunos a se lembrarem de um “fiozinho puxando no alto da cabeça”. E é isso mesmo. Imaginando que temos um fio nos puxando para o alto, em linha reta, nós nos dedicamos com mais consciência ao esforço da extensão axial. É como se vencêssemos a força da gravidade. Veja um exemplo, que podemos realizar mesmo quando estamos sentados.

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sukhasana
posição fácil
sukha = confortável, suave, agradável

O quinto movimento da coluna merece especial atenção. Ele pode ser utilizado em variados momentos da prática de yoga. É assim quando nos sentamos para meditar e fazer exercícios respiratórios. Basta observar: tudo flui de forma mais favorável quando empenhamos a consciência em manter a coluna alinhada. Se estamos conscientes do “fiozinho puxando no alto da cabeça” é possível descontrair as curvaturas normais da coluna e, desse modo, diminuir a chance de cansaço e de lesões à estrutura do esqueleto. Ganhamos mais elasticidade.

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Outro segredo para sentar-se bem é colocar uma almofada ou um cobertor dobrado embaixo das nádegas. Esse recurso nos permite elevar a base da coluna, o que compensa a flexibilidade limitada e restaura a curvatura natural.

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Entendendo como realizar esses movimentos com a sua coluna, você poderá ganhar autonomia em sua prática de yoga e montar suas próprias sequências. Além dos cinco movimentos, leve em consideração outras posturas possíveis do corpo: em pé, sentado, deitado ou as chamadas posições invertidas (quando as pernas ficam para o alto, acima da cabeça), que estimulam o sistema endócrino e melhoram a circulação. Na imagem a seguir, além dos cinco movimentos, vemos representadas posições de equilíbrio, inversão, relaxamento e meditação (de manter a coluna sempre estendida, em linha reta).

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Com a prática é possível notar e “pontuar” combinações de vários movimentos da coluna em uma única posição, como na figura abaixo.

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parivrtta trikonasana
posição invertida do triângulo
parivrtta = virar-se, inverter; tri = três; kona = ângulo

Mais importante, porém, é na nossa prática vivenciarmos os movimentos de flexão, torção e latero-flexão, sem abrir mão da intenção (consciência). Ao praticar em casa, o ideal é realizar, além dos cinco movimentos da coluna, as práticas completas – incluindo exercícios respiratórios, relaxamento e técnicas de meditação e concentração (pratyahara). Lembre-se apenas que essas orientações logicamente não substituem um professor: meu objetivo é somente ajudar você a conquistar, cada vez mais, autonomia em sua prática pessoal.

Namastê!

Silvia Oliveira