O lugar também nos transforma

O lugar também nos transforma

Há lugares que impressionam pela paisagem.

Outros permanecem em nós pela maneira como nos fazem viver.

Neste fim de semana, finalmente conheci a Casa Bacarirá, no Sertão de Camburi, entre a Mata Atlântica e o mar. Fui para reconhecer o espaço onde acontecerá o Retiro de Primavera do Studio ShantYoga.

Voltei com uma certeza: o retiro está exatamente onde deveria acontecer.

A beleza da floresta preservada, o Rio Bacarirá, o canto constante dos pássaros, as trilhas e o mar já seriam suficientes para tornar aquele lugar especial. Mas o que mais me tocou não foi a paisagem. Foi perceber que a beleza daquele lugar não nasce apenas da natureza; ela é cultivada diariamente pelas pessoas que vivem ali.

Na Casa Bacarirá, preservar não é um discurso. É uma forma de viver.

A natureza é respeitada. A cultura é valorizada. A arte acontece com espontaneidade. As pessoas são acolhidas com simplicidade e presença.

No sábado à noite, participei do Sarau de Inverno, realizado em homenagem à Regina Valentim — matriarca da família e inspiração para a criação da casa. Havia música, poesia, dança, o Mestre Tubarão tocando seu berimbau e entoando cantigas profundas, histórias, crianças, adultos e idosos compartilhando o mesmo espaço e compasso.

Nada parecia preparado para impressionar. Tudo parecia verdadeiro.

Naquele momento, compreendi que a Casa Bacarirá não preserva apenas a Mata Atlântica. Ela preserva uma maneira de viver.

No dia seguinte, fomos apresentados à Sapopemba, uma árvore centenária que atravessou séculos permanecendo firme, profundamente enraizada e protegida por pessoas que compreenderam o valor de guardar aquilo que não pode ser substituído.

Diante dela, pensei que a força raramente faz barulho.

Ela cresce em silêncio.

Talvez aconteça o mesmo conosco.

Vivemos em uma época que valoriza a velocidade, mas a natureza nos ensina outra linguagem. As árvores não têm pressa. Os rios não competem. As estações não se antecipam. Ainda assim, tudo floresce no tempo certo.

Caminhando por aquela floresta, compreendi a essência da minha escolha. Não procurei apenas um lugar bonito para realizar um retiro. Procurei um lugar coerente com aquilo que desejo compartilhar.

Entre os dias 16 e 18 de outubro, estaremos reunidos ali para viver três dias de yoga, práticas respiratórias, meditação, silêncio, contemplação e convivência.

Mais do que oferecer uma programação, desejo oferecer um ambiente. Porque acredito que florescer também depende da terra que cultivamos. E talvez essa seja uma das maiores lições da primavera: não é possível apressar uma flor, mas podemos cuidar do solo onde ela nasce.

Se este convite encontrar eco no seu momento de vida, será uma alegria compartilhar essa experiência com você.

As vagas permanecem limitadas, para preservar a proximidade, a qualidade dos encontros e a essência do nosso retiro.

Com afeto e presença,

Silvia Oliveira

Namastê!