Perdoar-se – um dos aspectos de ahimsa, não violência

Perdoar-se – um dos aspectos de ahimsa, não violência

O sistema do yoga é completamente norteado e embasado por seus princípios éticos, os yamas e niyamas; entre eles temos o ahimsa, a não violência.

Esse preceito se mostra importante em seus muitos aspectos, tanto os pessoais quanto os interrelacionais. Para termos paz, o contrário da violência, temos de desenvolver tolerância, paciência e gentileza, pois, em todas as relações, sejam familiares, profissionais ou de amizade, podemos perceber como a mera intenção de manter o bom comportamento pode não sustentar a calma por muito tempo devido a não se estar em paz internamente.

Por isso, a primeira pessoa com quem você tem de praticar ahimsa é consigo mesmo. Isso não significa ser condescendente, vitimado ou irresponsável. A solução está justamente na contramão disso tudo: fazer nossa autoanálise com a lupa do amor e respeito. Reconhecer as próprias dificuldades por um prisma amoroso nos permite recomeçar com nova força a cada dia. Se ontem não consegui fazer o meu melhor em algo proposto, hoje posso me esforçar para lapidar, até mesmo um pouco, aquele comportamento, pensamento ou sentimento, aperfeiçoando-me sem o peso da culpa e do retrocesso que dela decorre, podendo avançar de modo leve.

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Perdoar-se e observar como ser melhor nos mostra a necessidade de tratar o próximo da mesma forma, sendo empático e generoso. Isso não é nada fácil, pois inconscientemente temos a tendência de projetar as próprias mazelas no outro e, por isto, queremos quebrar o espelho.

Vem daí a importância do exercício do autoconhecimento e a razão da existência de uma base ética no yoga que precede os asanas (posições do yoga), os pranayamas (exercícios respiratórios) e a meditação. Sem esse prévio esforço diário de “ser” melhor, buscando um caminho do meio entre o esforçar-se e o respeitar-se, e também entre dar o melhor de si e o reconhecimento dos seus limites como um ser humano passível de erros e enganos, a prática do yoga apenas no “tapetinho” pode mostrar-se infrutífera. Desde sempre ouvimos famosos dizerem ser a paz mundial o seu maior desejo, acabando por tornar o assunto algo simplesmente simbólico, corriqueiro, sem força no mundo presente. No entanto, esse tema é sempre atual, iniciando-se internamente, pois sem ter a paz dentro de nós, não temos como transportá-la para o global.

Sendo assim, se você deseja mais da vida, de si mesmo e do yoga, aproveitará essa sabedoria milenar em todo o seu contexto ao buscar o constante autodesenvolvimento como quem afina um instrumento musical, dosando autossuperação com autorrespeito, conjuntamente da resiliência e da capacidade de rir das próprias quedas.  Assim, se tornará um ser humano melhor, um praticante de yoga para além do tatame, consciente da sua luz.

Namastê!

Silvia Oliveira

Adaptações na prática do yoga

Adaptações na prática do yoga

Se você realmente deseja vivenciar o yoga, a prática deve se adequar a você, e não o contrário.

Algumas vezes vemos o yoga sendo ensinado seguindo a influência histórica da educação física, trazendo a ideia de rendimento a qualquer custo, contradizendo sua essência de respeito aos próprios limites sem comparar-se com os outros.

A prática de yoga é para todos, seja qual for o seu momento de vida.

O ideal é realizarmos a prática com o acompanhamento de um profissional; um professor de yoga, capaz de orientar e trazer a vivência para a sua realidade, atento a possíveis desconfortos e dores.

Cada pessoa tem sua história corporal e essa deve ser levada em conta. Primordialmente temos de evitar as dores articulares, adaptando sempre as posições do yoga (asanas) ao surgir a necessidade. É perfeitamente possível trabalhar, assim, alongamento, postura, amplitude articular e muscular enquanto se respeita o limiar de dor; exigindo certo esforço do corpo, porém sem se machucar – desfazendo o esforço interno e mental.

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Por exemplo, se ao se sentar, seja para realizar exercícios respiratórios, meditação ou asanas, o aluno sentir dor no joelho, quadril ou lombar, isso dificultará a sua vivência, tirando a paz de espírito, objetivo fundamental no sistema do yoga como um todo. Nesses casos, podem ser sugeridas adaptações, como uma forma diferente de sentar (numa almofada, banquinho ou até cadeira), flexionar menos os joelhos ou fazer um apoio para a testa com as mãos (como na posição da criança). Até durante uma saudação ao sol é possível modificar formas de apoios e passagens, facilitando o aprendizado e evitando lesões.

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O significado vital do asana é ser uma posição estável e confortável, sendo essa a prioridade.

Manter a constância na prática faz toda a diferença para conquistar progresso, levando em consideração que desejamos principalmente lapidar nosso ser interno através do físico.

Namastê!

Silvia Oliveira

A regra dos 5 segundos e o yoga

A regra dos 5 segundos e o yoga

Recentemente comecei a ler o livro O Poder dos 5 Segundos, de Mel Robbins. Ele está me fazendo rever muitos aspectos da minha vida, e também perceber as várias conexões existentes entre seus princípios e o yoga.

Um desses pontos conectados é a ação, pois o yoga, diferente do que se pensa, é muito prático, pois logo no início já se notam seus benefícios. De certa forma, sabemos que o óbvio é fazer o que precisa ser feito e, em geral, temos ideia do que precisamos cultivar em nossas vidas para sermos bem-sucedidos. Então, por que muitas vezes, mesmo sabendo o quanto algo é bom para nós, nos sabotamos?

No livro, é dito que “Procrastinação é ’um desejo inconsciente de se sentir bem nesse exato momento’, de modo que você possa sentir um pouco de alívio por ter se livrado momentaneamente do estresse” – conforme Timothy Pychyl, professor de psicologia na Universidade Carleton, que estuda procrastinação há mais de dezenove anos. Como começar a mudar? Parta do possível.

A proposta essencial de O Poder dos 5 Segundos é: faça uma contagem regressiva – 5, 4, 3, 2, 1, e parta para a ação mesmo parecendo ser uma simples e pequena atitude, como levantar da cama de manhã, pois “a menos que vença os sentimentos que desencadeiam os seus maus hábitos e dê um empurrão em si mesmo para simplesmente começar, você nunca vai mudar“.

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Ao colocar em prática a regra dos 5 segundos, o segundo ponto que noto em comum é a atenção no aqui e agora, dando um passo de cada vez, apesar das mil resistências mentais que surgem.

E, enfim, o terceiro ponto é o embasamento científico. Embora tanto o yoga quanto a regra dos 5 segundos tenham se desenvolvido de forma empírica, a ciência confirma seus mecanismos e mostra porque e como funcionam.

Alguns dos pequenos, mas importantes passos que iniciei são:

– antes das 07h30 ter feito minha oração / meditação / yoga;

– ainda pela manhã, escrever;

– comecei um treino de dez dias seguidos me filmando para evoluir desenvoltura ao falar com o público através da câmera.

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E você? Quais sementes gostaria de plantar, cultivar e frutificar? O que deseja transformar em si mesmo? Cada um de nós saberá dizer as importantes coisas adiadas e o quanto isso pode minar energias e a realização de sonhos.

Pode ser que praticar yoga esteja nos seus planos e você argumente não ter paciência, tempo ou coragem para começar. Talvez possa usar a regra dos 5 segundos para te impulsionar… 5, 4, 3, 2, 1, yogar!

Namastê!

Silvia Oliveira

Não existe perfeição no equilíbrio, e sim na busca constante dele

Não existe perfeição no equilíbrio, e sim na busca constante dele

Se observarmos atentamente, notaremos como tudo no universo segue um princípio não linear de procurar o equilíbrio. Vemos isso, por exemplo, nas células do corpo humano em seu processo de homeostase (capacidade do organismo de manter o meio interno em equilíbrio apesar das alterações do meio).

No sistema do hatha yoga constatamos os mesmos conceitos (absorção de nutrientes e eliminação de resíduos): nós nos nutrimos com o movimento e a consequente manutenção da boa postura, com o controle respiratório e o yoga mental (samyama), onde  a purificação – saucha – permeia essas técnicas e cria condições favoráveis à eliminação de bloqueios e obstruções que surgem nos sistemas físico e mental, melhorando seu desempenho.

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Enquanto praticamos yoga percebemos nossa rigidez, resistência e desconcentração, e o fato de encararmos esses empecilhos ao nosso desenvolvimento e utilizarmos os instrumentos que o yoga nos oferece, atraímos maleabilidade e leveza, fluindo com a vida.

Tanto os empecilhos que eliminamos quanto o processo de eliminação mostram as atividades essenciais de manutenção da vida.

Uma boa ilustração são as posições de equilíbrio do yoga, como a da árvore, do dançarino e da palmeira; enquanto as fazemos, podemos notar a instabilidade física e /ou emocional, e nos sentirmos frustrados. Porém, mesmo nessa fase de conquista da posição, de percepção do que está desequilibrado, já estamos desenvolvendo positivamente esses mesmos aspectos.

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Desta forma, o yoga, assim como a natureza do ser humano em seu funcionamento biológico, nos mostram que “não existe perfeição no equilíbrio, e sim na busca constante dele”.

Namastê!

Silvia Oliveira

Dicas para manter-se firme na prática do yoga – e assim, colher os frutos de renovo e qualidade de vida

Dicas para manter-se firme na prática do yoga – e assim, colher os frutos de renovo e qualidade de vida

CONSTÂNCIA

Algo que realmente faz a diferença é manter a constância. Porém, sabemos que muitos empecilhos podem surgir no caminho: a correria do dia a dia e o cansaço, que pode vir de muitas fontes – como sobrecarga no trabalho, dores, indisciplina etc.

Se analisarmos essas fontes que sugam nossa energia, perceberemos que algumas delas são inevitáveis. Porém, podemos controlar alguns hábitos e pensamentos se tivermos consciência do que nos atrapalha.

Como eu posso estar mais disposta (o) para praticar yoga? O ideal é cultivar esses hábitos sempre, mas você pode começar fazendo um ritual para os dias da sua prática de yoga, por exemplo.

Os preceitos éticos do yoga – yamas e niyamas dão sustentação a todo o sistema. Vale a pena revisar e empenhar–se em vivenciá-los se deseja ver o yoga desabrochar em todas as áreas da sua vida e te transformar!

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Vamos relembrar os prismas de alguns deles.

Cultivar gratidão – santosha

Mesmo em dias difíceis é possível buscar aspectos da nossa vida que somos gratos. E assim você poderá iluminar seus pensamentos com vários desses lampejos. E claro que sempre ajuda ter um sorriso no semblante!

Moderação dos sentidos – brahmacharya

– Dormir melhor – na noite anterior a sua prática de yoga, se possível, tenha oito horas de sono, faça uma refeição leve e um relaxamento autoconduzido (yoga nidra) antes de dormir.

– Respirar melhor – durante todo o dia procure dar atenção a sua respiração, expirando devagar; faça desse foco um processo meditativo.

Autodisciplina – tapas

Para manter a constância precisamos de autodisciplina. Praticar yoga e meditação pode ser considerado algo lúdico e até supérfluo. E, às vezes, temos a impressão de que não terá tanto problema assim se não praticarmos com certa constância. Veja bem! Quando fazemos yoga dando o nosso melhor, nos sentimos mais centradas (os) e tranquilas (os), e esse é o nosso “normal”; nem percebemos a diferença. Só quando não treinamos é que ficamos estranhas (os), irritadiças (os) e desconcentradas (os).

É claro que vai dar algum trabalho (como todas as coisas que valem a pena na vida). Você terá de se organizar, tirar algum tempo de qualidade pra isso; terá de dar certa prioridade. Criar uma rotina com hábitos saudáveis com o tempo se tornará algo prazeroso e você construirá um porto seguro pra se renovar e voltar sempre que precisar.

Namastê!

Silvia Oliveira

As relações entre praticar yoga, amar-se e não se comparar com os outros

As relações entre praticar yoga, amar-se e não se comparar com os outros

“Compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje.” Jordan B. Peterson

Um dos melhores aspectos da prática do yoga é o fato de não se comparar com ninguém, sabendo da intenção de levar as atitudes vivenciadas durante a aula de yoga para o nosso dia a dia. Temos a orientação e inspiração do professor, mas na verdade o asana – posição de yoga – pertence somente a você, levando em consideração sua história corporal, respeitando seus limites e como está se sentindo no momento.

Numa aula conscienciosa de yoga não existe (ou não deveria existir) nenhum tipo de incentivo à comparação. Não se trata de uma aula de exercícios físicos onde o instrutor demonstra enquanto ensina e os alunos buscam imitá-lo a qualquer custo, nem ter como parâmetro a (o) colega ao lado, que pode ter mais ou menos flexibilidade, força ou resistência.

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Numa sala de yoga não há necessidade de espelhos, pois o que buscamos é o nosso espelho interno, desenvolvendo consciência corporal, respiratória e mental, percebendo onde e como estamos no espaço. Portanto, você se compara somente com você mesmo – como está hoje em relação a ontem, e isso com autoconsideração, respeito e amor próprio. Ao mesmo tempo busca render-se ao asana dando o seu melhor e se desfazendo do esforço interno e mental, encontrando o caminho do meio entre o soltar-se e o esforçar-se.

O sistema de hatha yoga nos dá os instrumentos para o autoconhecimento e quanto mais nos conhecemos, mais chances temos de cultivar a autoestima de forma lúcida sem comparar-nos com os demais.

Namastê!

Silvia Oliveira

Meditação – Dicas infalíveis

Meditação – Dicas infalíveis

No hatha yoga, a meditação costuma vir depois de um preparo feito por meio de exercícios psicofísicos e respiratórios, que envolvem também o relaxamento. Ao meditar, o praticante procura um espaço entre os pensamentos e deseja não conversar com eles.

A meditação não é algo místico, paranormal, religioso, nem filosófico. Por certo, é adotada em diversas religiões diferentes, mas não passa de uma prática. Seus benefícios são incontáveis. Ela reduz a ansiedade, produz efeitos de profundo relaxamento, traz qualidade de vida, melhora o sono e favorece a capacidade de concentração. Em estágios mais avançados, pode levar a estados alterados de consciência. Vamos começar?

  • ESCOLHA UMA “ÂNCORA”

Para começar, você pode utilizar técnicas bem simples, como deve ser em toda a prática do yoga. Isso demanda disciplina e esforço, assim como todas as atitudes que podem trazer benefícios, mas o começo é simples. É parar e fazer!

Para permanecer num estado contemplativo você precisa estar presente; não conversar com os pensamentos ajuda muito. Encare-os como nuvens que passam, e não se apegue a nenhum deles. De repente, entre tantos pensamentos indo e vindo, surge um espaço silencioso. Pronto! Você conseguiu.

Você pode utilizar “âncoras” que ajudam a não se deixar levar pelos pensamentos, por exemplo, usar uma frase como pano de fundo – curta e de grande significado pessoal. Uma que gosto muito e sugiro é a frase do Professor Hermógenes: “Entrego, confio, aceito e agradeço”. Também é possível visualizar uma imagem, como a chama de uma vela acesa, entre as sobrancelhas, ou simplesmente focar a atenção na respiração.

Lembre-se de que essas são apenas variedades de “âncoras”, não a meditação em si.

  • CAPRICHE NA POSTURA

Sentar da maneira mais confortável possível, mantendo a coluna alinhada de forma natural, favorece a prática da meditação. É importante estar sentado mantendo a atitude interna que um asana (posição de yoga) propõe, isto é, firme e confortável. Se você, por qualquer motivo, não sentir estabilidade e conforto sentado na almofada sobre o chão, sente-se em uma cadeira, banco ou poltrona. O primordial é estar com a coluna alinhada.

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Como diz a canção do Walter Franco: “tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

Sente-se e medite enquanto pratica um dos asanas tradicionais do hatha yoga, como:

  • Sukhasana ou posição fácil

Sente-se com as pernas unidas e esticadas. Utilizando as mãos, flexione a perna esquerda e leve o pé para baixo da perna direita. Em seguida, flexione a outra perna e leve o pé direito para baixo da perna esquerda. Conserve o tronco na vertical;

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  • Padmasana ou posição de lótus

Sente-se com as pernas unidas e estendidas. Descanse o peito do pé direito sobre a coxa esquerda de forma que a sola do pé fique voltada para cima. Depois, descanse o pé esquerdo sobre a coxa direita. Ambos os joelhos tocam o solo e apontam para frente. Os calcanhares pressionam o abdômen logo acima da região pubiana;

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  • Vajrasana ou pose do diamante:

Ajoelhe-se conservando os joelhos juntos e os pés esticados de forma que a pernas se apoiem no solo. Os dedos dos pés ficam apontados para dentro e quase se tocam.

Sente-se sobre as pernas, mantendo a cabeça alinhada e a coluna ereta, sem rigidez.

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Tente começar devagar, fazendo 5 minutos ao dia. Aos poucos, vá aumentando o tempo da meditação à medida que for se tornando mais confortável. Lembre-se de desfazer o esforço interno, o esforço mental, focando no aqui e agora, livre de expectativas.

A constância e persistência trarão o tesouro do autoconhecimento, e todas as joias preciosas que decorrem disso.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

 

Meditação para treinar o músculo da atenção

Meditação para treinar o músculo da atenção

“Coisas que nos parecem impossíveis só podem ser conseguidas com uma teimosia pacífica.” (Mahatma Gandhi)

É desejável que o estado meditativo permeie a prática do hatha yoga como um todo – desde os preceitos éticos, os yamas (disciplina externa) e os nyamas (disciplina interna), até os asanas (exercícios psicofísicos) e os pranayamas (exercícios respiratórios), sem nos esquecermos do pratyahara (abstração dos sentidos) e samyama (yoga mental).

Falemos um pouco mais da meditação, esse exercício aparentemente tão passivo, mas tão difícil de conquistar. É comum que digam que, na meditação, a gente “não pensa em nada”. Como parece muito difícil não pensar em “nada”, o iniciante acaba pensando em tudo. Isso pode deixá-lo irritado e fazer com que desista. O ideal é não criar tantas expectativas imediatistas quanto à sua prática de meditação. Vá com tranquilidade.

Por meio do treino podemos estabelecer intimidade com o próprio interior. Como minha mente funciona? Quais são as respostas automáticas dependendo do estímulo? Consigo perceber que não sou a mente? Aos poucos, quem medita vai compreendendo que é mais que os seus pensamentos. Essa descoberta é maravilhosa.

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Por meio da inteligência é possível convencer a mente do que realmente importa. A inteligência, assim como um espectador, pode observar sem se envolver, nem julgar. Pode reconhecer as propostas da mente e discerni-las.

Definimos aqui “inteligência” como uma condição que permite manejar um conjunto de pensamentos ou, até mesmo, ficar distante deles.

Por fim, é bom lembrar que meditar faz bem. A ciência vem divulgando artigos que comprovam os benefícios para a saúde humana decorrentes da prática meditativa. Muitos médicos a recomendam, como o Dr. Roberto Cardoso, obstetra e praticante de meditação há mais de 30 anos e autor do livro Medicina e Meditação – um médico ensina a meditar. De acordo com o Dr. Roberto, meditar aparentemente altera a química do cérebro, e também as vias neuronais, as quais talvez representem os vícios de pensamento que nos aprisionam. Meditando diariamente, podemos fortalecer essas vias e, assim, nos beneficiarmos ao nos “libertarmos”.

Quer tentar? Confira as dicas de como começar a meditar em nosso próximo post.

Se você tiver interesse em artigos científicos ou outros sobre esse assunto, confira esse site.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

 

 

 

 

Benefícios da respiração alternada pelas narinas – nadi shodhanam

Benefícios da respiração alternada pelas narinas – nadi shodhanam

Que tal obter inúmeros benefícios para sua saúde apenas praticando um exercício respiratório? Quer saber como? É bem simples. O nadi shodhanam (nadi = fluxo e shodhana =purificação), também conhecido como nadi suddhi (purificação dos canais energéticos) ou anuloma viloma (a conexão com a ordem natural), é um importante pranayama (exercício respiratório).

Ele atua na purificação dos canais sutis de energia do corpo para o prana (bioenergia do ar) fluir mais, liberando possíveis bloqueios. Equilibra a respiração entre as narinas esquerda e direita, bem como a atividade entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro, exercendo um efeito calmante no sistema nervoso, concentrando a mente para o propósito da meditação.

Proporciona clareza mental, reduz dores de cabeça e enxaqueca, e alivia nervosismo, ansiedade e depressão.

Tem motivos de sobra para desejar aprender? Então vamos à prática!

1) Sente-se numa posição firme e confortável, unindo polegar e indicador (jnana mudra), enquanto repousa as mãos nas pernas com as palmas voltadas para cima;

2) Inicie exalando todo o ar; com o dedo médio da mão direita, obstrua a narina direita, inspirando pela esquerda; enquanto retém a respiração, troque de mão e de narina, e expire lentamente pela narina direita;

3) Inspire por essa mesma narina (a direita); enquanto retém a respiração, troque de mão, troque de narina e expire lentamente pela outra;

4) Continue alternando entre as narinas até realizar uma rodada completa da prática (três respirações de cada lado, completando um total de seis respirações); então, abaixe as mãos e respire gentil e suavemente através das duas narinas;

5) Para uma prática mais profunda, complete mais duas rodadas. Termine expirando pela narina esquerda.

(Esse exercício também pode ser realizado somente com a mão direita, em vishnu mudra (esse gesto envolve dobrar os dedos médio e indicador na direção da palma da mão, e manter o polegar, o dedo anelar e o dedo mínimo estendidos – o polegar é usado para fechar uma das narinas e o anelar é usado para fechar a outra).

Procure coordenar com a respiração completa, percebendo a passagem do ar por toda a capacidade pulmonar, inspirando e expirando de forma lenta e uniforme. Um bom ritmo é inspirar em quatro tempos, reter o ar em sete e expirar em oito (4:7:8). Ou próximo desse tempo, sendo confortável para você. São tempos, não são segundos, porque é o seu tempo.

Assim, você associará a respiração alternada com ritmo, lentidão e respiração completa. O movimento de troca de mãos em frente ao tronco é suave.

Gosto de ensinar nadi shodhanam aliando a alternância das narinas à mudança de mão a fim de facilitar o aprendizado. Ao mesmo tempo simplifica e permite maior relaxamento dos ombros e braços. O gestual harmônico condiz e complementa a interiorização e concentração.

Para aprender exercícios específicos como esse, a orientação de um especialista é sempre desejável. O ideal é ser realizado no contexto de uma prática de hatha yoga completa, onde cada técnica potencializa a outra.

Revigore-se com esse excelente exercício e prepare sua fisiologia física e sutil para o relaxamento e a meditação, levando você a um estado de calma e clareza mental.

Namastê!

Silvia Oliveira

A falácia ao associar o yoga à passividade nas empresas

A falácia ao associar o yoga à passividade nas empresas

Uma vez, enquanto ainda trabalhava em uma empresa do setor de alimentos e agronegócio, uma gerente chegou para mim e falou exatamente assim: “nossa, você pratica yoga? Imagine, eu sou uma pessoa muito dinâmica! Não paro quieta. Isso não tem nada a ver comigo!” Na mesma hora, pensei comigo: nossa, que grande falácia.

Sim, falácia!

Yoga não é só sentar e fazer uma pose bonita como se ali nada fizesse, e muito menos realizar posturas a la Cirque de Soleil. O yoga é uma filosofia de vida milenar que nos incentiva, entre muitas coisas, a criar mais empatia e compaixão pelo próximo.

Não, você não será “mole” ou “passivo” perante as adversidades e os desafios. Se assim fosse, policiais e militares americanos não estariam praticando yoga e meditação (relatado no livro Meditation for Fidgety Skeptics).

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Eu, como especialista em Customer Experience e Pesquisa de Mercado – complexo processo para entender o relacionamento da sua organização com seus clientes para que alcancem os resultados desejados – percebo como o yoga está conectado a essa empatia pelo próximo, por isso estou me formando como professora de yoga este ano.

Empatia é essencial para que se obtenha sucesso em qualquer negócio. Se você não for um profissional empático, além de paciente e bom ouvinte, não conseguirá entender os objetivos e conceitos de sucesso de seus clientes.

Por esse motivo, yoga e dinamismo andam juntos. Com essa prática você aprenderá a conduzir seus clientes através da empatia em direção ao sucesso. Então, para aqueles que ainda não praticam por crenças equivocadas, ou simplesmente nunca pensaram no assunto, digo o seguinte: que tal começar?

Aline Ataulo

Namastê!

Sobre a autora:

Aline é aluna do Studio ShantYoga há quase seis anos e está fazendo formação em yoga no IEPY – Instituto de Ensino e Pesquisas em Yoga – coordenado pelo professor Marcos Rojo. Especialista de Customer Experience & Pesquisa de Mercado, conta com mais de 15 anos na área corporativa.