NÃO ROUBAR – ASTEYA

NÃO ROUBAR – ASTEYA

A palavra steya significa “roubar”. Quando combinada com o prefixo a, seu sentido é invertido, de modo que asteya significa “não roubar”: este é o terceiro yama.

O yoga é um sistema composto de oito partes e, dentre elas, os yamas e niyamas fornecem os preceitos éticos para aprender a viver em harmonia consigo mesmo e com os outros. Precedem as demais etapas em ordem e importância porque, para ser bem-sucedido em sua prática de yoga, é preciso esforçar-se para desenvolver atitudes em relação aos demais e a si mesmo que expressem sanidade interna (psíquica e espiritual).

Esses preceitos são encontrados em várias épocas e culturas no mundo, e por isso Patanjali os chama sarvabhauma, supremos ou universais, pois eles valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.

Assim como verdade, satya, o exercício de não roubar, asteya, traz paz de espírito e afasta os medos. E esta paz interior é essencial para ter saúde em todas as dimensões da vida. As atitudes externas refletem nossa visão de mundo, sentimentos e pensamentos –aspectos interiores que sofrem inúmeras influências, desde a infância, do ambiente familiar, escolar, profissional etc. E com tantos modelos de comportamento, algumas vezes não muito exemplares, e também nossa própria tendência humana distorcida, é necessário muita força de vontade para fazer as escolhas que realmente beneficiem ao “todo”, seja na convivência em sociedade ou pessoalmente.

Em todos os aspectos da prática do yoga, observamos a necessidade de autodisciplina, ou tapas. No dia a dia, apesar de surgirem inúmeras ocasiões que possam sugerir o roubo de algo material ou sutil de outrem, através de sua consciência disciplinada, conhecedora e praticante dos princípios yogues você fará escolhas benéficas para si e o próximo. E por mais argumentos que a mente possa usar para convencê-lo, através da inteligência treinada em autoestudo, svadhyaya, você terá o arsenal necessário para ser bem-sucedido, sem comprometer sua paz ou o exercício de não violência, ahimsa.

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A aparente vantagem de conquistas fáceis, roubando os bens alheios, deteriora o ser. Esse roubo pode acontecer de muitas maneiras, seja de ideias, de tempo, de paciência do outro. E pode ocorrer em relação a si mesmo. Por exemplo, quando você rouba seu tempo com coisas supérfluas e negligencia as prioritárias.

Vivemos em uma sociedade que valoriza muito mais o ter do que o ser. E muitas vezes essa conduta consumista pode incentivar a posse dos bens materiais a qualquer custo. Daí a importância de cultivar os preceitos do yoga, conhecendo, estudando e praticando.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Verdade x Não mentir -Satya

Verdade x Não mentir -Satya

“A verdade é totalmente interior. Não há que a procurar fora de nós nem querer realizá-la lutando com violência contra inimigos exteriores.” Gandhi

A palavra sat, em sânscrito, significa “aquilo que existe, aquilo que é”. Satya, por sua vez, significa “veracidade” – ver e relatar as coisas como elas realmente são, e não como gostaríamos que fossem.

Como em todos os yamas e niyamas, para conquistar satya é necessário um exercício interno constante, de autoconhecimento. Falar a verdade depende de pensar e sentir a  verdade. E de reconhecer os autoenganos e a tendência do ser humano a enganar os demais.

É preciso ser honesto consigo mesmo. Como estão meus pensamentos? Reconheço minhas emoções de egoísmo, narcisismo e cegueira mental? Sim, a cegueira de não querer ver os problemas, por exemplo. Quantas mentiras não são ditas em forma de fugas, por não querer ver as coisas como realmente são. Exatamente porque, se você olhasse para essas verdades, teria de se transformar.

Por exemplo, durante a prática do hatha yoga, você se observa e identifica como está. Distraído ou concentrado? Sentindo alguma dor ou desconforto? E a respiração? Tranquila ou acelerada? Assim você traz consciência ao corpo, respeitando seus limites, e busca ajustar-se na posição (asana) quando seu corpo encontra conforto e equilíbrio na postura estável, sem contrações dolorosas, sem angústias.

Traz consciência à respiração. Com a prática é possível identificar qual tipo de respiração determinado asana pede. E também consciência na mente, que é estar no momento presente, é cultivar o estado de presença, estar no aqui e agora.

Mas você notou que o primeiro passo foi o reconhecimento de como se está? A aceitação sem mentir, sem se culpar ou enaltecer, sem se martirizar, apenas reconhecer: olhar.

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A mentira costuma percorrer o caminho mais fácil, a verdade segue a vereda do esforço. O desafio é não enganar a si mesmo, não cultivar as ilusões. Com esse treino interno, a expressão da verdade tende a transparecer.

Por isso é preciso estar comprometido com esse caminho da verdade. Assim como tudo no yoga, a expressão da verdade tem de ser na prática. Não adianta nada saber o que é certo e não fazer o que é certo. Pensar, agir com verdade não é impossível. Pode ser difícil, mas não impossível.

A veracidade implica honestidade, bondade e força mental e espiritual.

A honestidade traz paz de espírito e afasta os medos.

O falar deve estar revestido de bondade, de cuidado para não ferir, não magoar, não ofender.

Vivemos em uma cultura de imediatismos, ou seja, não importa o que se pense, fale ou faça, contanto que se consigam benefícios agora. É necessária muita força mental e espiritual para vivenciar a expressão da verdade.

Por isso verdade, satya é parte integrante dos yamas (disciplina externa) e completa a base que fundamenta toda a prática do hatha yoga.

Através do exercício de não mentir é possível lapidar o caráter, cultivar a estabilidade interior e realizar um bem real a si mesmo e ao próximo.

Namastê!

Silvia Oliveira

Não violência – ahimsa

Não violência – ahimsa

“Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz.”

John Lennon

Não violência é sinônimo de paz. É uma paz, entretanto, que provém do esforço interno de ser pacífico – e não da passividade.

O entendimento pacífico entre um casal, na família, na comunidade, na sociedade etc., não significa necessariamente que concordamos com a opinião, a visão, a postura do outro, mas que aceitamos a discordância, que tratamos o próximo da mesma maneira como desejamos ser tratados. E, para ter esse parâmetro, é preciso ser não violento consigo mesmo. Ter respeito por suas necessidades psicológicas fundamentais. Isso é “amar o próximo como a si mesmo”.

Ahimsa é a não violência em suas variadas formas, seja verbal, física e psicológica.  Como ser pacífico num mundo violento? É preciso acreditar na verdade e força que essa paz contém. É necessário um esforço constante de viver pacificamente. De exemplificar essa crença. Não é fácil, mas como todos os princípios que fundamentam a prática do yoga, quando vivenciados, são enriquecedores.

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Grande exemplo de como é possível conquistar importantes transformações sem violência, é Mahatma Gandhi. Ele nos mostrou como responder a agressão. Munido de uma vontade inabalável, enfrentou as injustiças, convicto das verdades em que se baseava. Sem revidar com força física.

Mas tudo isso pode parecer simplesmente uma forma de ser pacato. De ser feito de bobo. De sair perdendo…

Para que todos saiam ganhando, é preciso converter a direção. A forma de lidar. De olhar. Alimentando o cérebro com estímulos pacíficos, equilibrados, iluminados.

Como a prática de yoga pode nos ajudar a ter pensamentos, sentimentos e atitudes mais pacíficos?

Praticar o hatha yoga facilita o caminho do autoconhecimento. Favorece a intimidade consigo mesmo. Com sua mente, corpo e espírito. Primeiro identificando o que não está bem. Estou com raiva? Com medo? Com rancor? Como esses sentimentos inflamam as atitudes violentas em mim? Também percebendo o quanto pode ser violento consigo mesmo. Respeito meus limites? Meu corpo? Minhas necessidades?

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E te ajuda a concentrar, relaxar, a silenciar. A fazer outras conexões cerebrais.

O yoga nos dá os instrumentos para viver dessa maneira mais consciente. Consciente de si, do outro e da natureza. E para isso é importante incorporar os princípios básicos que fundamentam a prática do hatha yoga. Numa trilha em que uma coisa boa leva a outra. A prática de yoga te ajuda a se conhecer melhor, te conduzindo a ser mais pacifico, amoroso e paciente. E notar quando está longe disso e encontrar o caminho de volta ao “ser”.

Namastê!

Silvia Oliveira

DEVOÇÃO – ISHVARA PRANIDHANA

DEVOÇÃO – ISHVARA PRANIDHANA

Lembrando que os niyamas são preceitos que devem reger as atitudes do praticante de yoga em relação a si mesmo, conforme Patanjali prescreve em seus sutras. São um total de cinco, dos quais já vimos quatro, que são: contentamento (santosha), autodisciplina (tapas), autoestudo (svadhyaya) e purificação (saucha). Veremos agora ishvara pranidhana. Ishvara refere-se a toda consciência onipresente; pranidhana significa ”render-se”. Juntas, essas palavras são frequentemente traduzidas como “devoção”, que implica fé. Como você vai direcioná-la, dependerá também de suas crenças. O que percebo é que em essência essa “devoção” se traduz como um expressivo “sim” à vida. Acreditar que existe bondade na vida, que ela é nossa aliada e não inimiga. A famosa frase do Professor Hermógenes mostra essa atitude: “Entrego, confio, aceito e agradeço”. O que não significa apatia ou comodismo.

Quando praticamos hatha yoga, o estado meditativo que permeia toda a prática demanda essa confiança e entrega. Por isso Patanjali em sua codificação do sistema de yoga em oito partes, prioriza a vivência dos preceitos éticos, yamas (disciplina externa) e niyamas (disciplina interna) que precedem os asanas (exercícios psicofísicos), pranayama(exercícios respiratórios), pratyahara (abstração dos sentidos) e samyama (yoga mental).
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O exercício de ishvara pranidhana produz no praticante um estado de espírito sereno, confiante e traz o reconhecimento da interconexão que temos com tudo e com todos ao nosso redor. Assim como precisamos ser cautelosos, práticos e lógicos para sobrevivermos, temos de cultivar a capacidade de realizar, de compreender a real conexão que temos com todos os seres viventes. Esse equilíbrio interno tem correspondência em nosso comportamento no dia-a-dia. Tornando os relacionamentos em todas as áreas da vida mais bem sucedidos e harmoniosos.

Namastê!

Silvia Oliveira
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PURIFICAÇÃO – SAUCHA

PURIFICAÇÃO – SAUCHA

Dentre os cinco niyamas ou preceitos, encontramos purificação, saucha. Um conjunto de técnicas de limpeza do corpo e da mente que promovem desintoxicação.
Os kriyas, processos de limpeza, não são apresentados nos Sutras de Patanjali (sistematização do yoga), e sim no Gheranda Samhita (escritura que descreve uma quantidade significativa de técnicas de purificação ou kriyas). Dentre as técnicas de purificação mais acessíveis à prática, encontramos:
KapalabhatiKapala (crânio) e bhati (brilhante); portanto significa exercício que faz o crânio brilhar. Apesar de ser um exercício respiratório, classifica-se entre os kriyas por sua profunda atuação no cérebro, pulmões e sistema nervoso.
Jala neti – Exercício de limpeza das vias respiratórias superiores (com água preparada ou soro fisiológico).
Trataka (fixar a visão num objeto até os olhos lacrimejarem).
E uma coisa boa conduz a outra, num ciclo virtuoso. A sua prática de asanas (exercícios psicofísicos), kriyas, pranayama, yoganidra (ciência do relaxamento) e meditação, te conduzem naturalmente a ser mais seletivo (a) com a alimentação, com os pensamentos, com a forma de lidar com o ambiente onde vive, com as companhias, com as palavras.

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Tudo no sistema de hatha yoga proporciona essa limpeza tanto do físico, quanto do sutil, pensamentos, sentimentos e emoções. Tanto em relação à higiene, a estética, quanto com o que ouve ou assisti etc. Não somente lapidando o gosto, mas o discernimento. Fazendo bom proveito de tudo com equilíbrio, para sua edificação e bem estar. Desvencilhando-se dos empecilhos ao seu desenvolvimento no yoga e na vida.

ESCRITURAS – SHASTRAS

ESCRITURAS – SHASTRAS

A obra fundamental do sistema filosófico do yoga, foi a de Patanjali, composta em um período incerto situado entre os séculos IV a.C e V d.C.

Patanjali sistematizou o yoga através dos sutras ou aforismos. Sutra significa fio, estando numa sequência ordenada de pequenas frases com amplo e profundo sentido, como que em uma guirlanda na qual o fio sustenta a sequência precisa das flores. Ele sugere uma prática descrita numa metodologia de oito etapas, que  ficou  conhecida como ashtanga yoga ou yoga de oito (asta) partes (anga). Estas partes são as seguintes:

1- Aprender a viver em harmonia com os outros (yamas);

2- Manter o corpo, a mente e o espírito saudáveis e felizes (niyamas);

3- Praticar posturas psicofísicas para fortalecer o corpo (asanas);

4- Respirar corretamente para fazer fluir a energia (pranayama);

5- Concentrar nossas forças mentais no interior do ser (pratyahara);

6- Focalizar toda a atenção em determinado objeto (dharana);

7- Repousar em meditação profunda e natural (dhyana);

8- Equanimidade, transconsciência (samadhi).

Outras escrituras (shastras) diretamente relacionadas ao hatha yoga são:

Hatha Yoga Pradipika – escrito por Svatmarama em uma época imprecisa situada entre os séculos XIV e XVI. O sistema de Svatmarama ficou conhecido como caturanga yoga, significando “sistema de quatro partes”, que são:

asanas (posturas);

pranayama (controle do alento);

mudras – gestos simbólicos feitos com as mãos, posturas e pressões em pontos sensíveis do organismo. Incluindo  bandhas, que significa literalmente um nó, e é aplicada a variadas contrações e relaxamentos musculares com vista a influenciar os sistemas nervoso, vascular e glandular.

nadanusandhana (absorção nos sons internos).

Gheranda Samhita – escrito por Gheranda provavelmente entre os séculos XVII e XVIII. Descreve uma quantidade significativa de técnicas de purificação ou kriyas. O sistema de Gheranda é conhecido como saptanga yoga, ou o sistema de sete partes, sendo elas:

satkarma ou kriyas (técnicas purificatórias);

asanas (posturas);

mudras (técnicas acessórias, travas);

pratyahara (abstração dos sentidos);

pranayama (controle do alento);

dhyana (meditação);

samadhi (equanimidade, transconsciência).

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Sendo o objetivo dessas escrituras nos concederem autoconhecimento, logo, livros de outras culturas sobre o mesmo assunto podem ser úteis ao praticante de hatha yoga. Sempre vale a pena a pesquisa e o aprendizado, utilizando o discernimento (viveka) e cultivando o autoestudo.

Namastê!

Silvia Oliveira

AUTOESTUDO – SVADHYAYA

AUTOESTUDO – SVADHYAYA

Durante os asanas (posturas psicofísicas), pranayama (controle da energia vital através de exercícios respiratórios), meditação e relaxamento, o praticante de yoga realiza um autoestudo que, em sânscrito, chama-se svadhyaya. O svadhyaya, que também significa recolher, relembrar, meditar sobre si mesmo, é um dos cinco niyamas (ou preceitos) do hatha yoga.

E o que vem a ser, exatamente? Consiste na auto-observação, não só na prática de yoga como na vida. O ideal é incrementar esta vivência com o estudo das escrituras (shastras), tendo como chave interpretativa viveka, ou discernimento. Isso quer dizer não aceitar com fé cega tudo que você lê ou ouve, seguir ensinamentos sem verificar como coincide com o seu eu interior, pois isso é o verdadeiro autoestudo: entender a sua verdade.

Por isso é importante estudar os ensinamentos dos mestres e sábios, não somente receber como um resumo de intermediários. Só assim você poderá identificar se as informações ouvidas realmente tem coerência com o que foi ensinado pelos mestres. Ou seja, esse estudo precisa ser desenvolvido em você, e, acima de tudo, deve ser vivido. Como em outras áreas da vida, é preciso autodisciplina para reservar tempo de qualidade para essas leituras, sem tratá-las como uma espécie de horóscopo ou caixinha de mensagens positivas.

Autoconhecimento ou interiorização não é algo misterioso nem precisa estar ligado à religiosidade; afinal, não há nada de místico em conhecer a si mesmo, na verdade é o primeiro passo para efetuar mudanças duradouras e consistentes em sua vida. Sem conhecimento, não há avanço.

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Svadhyaya permite que você não fique iludido, priorizando o que é secundário. E também que você se revise constantemente. Estou aberto aos ensinamentos, sou uma pessoa ensinável? Ou me fecho no conhecido e só aceito o que interessa ao meu ego?

Conseguir trilhar esse caminho do meio é algo exigente, mas traz alegria, contentamento e autoconhecimento. Assim podemos ser pessoas melhores onde estivermos.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

AUTODISCIPLINA – TAPAS

AUTODISCIPLINA – TAPAS

No hatha yoga, dentre os cinco preceitos, niyamas, temos a autodisciplina, tapas, palavra em sânscrito que pode ser traduzida como autoesforço ou austeridade. Iyengar, em A Luz da Ioga, define-a assim: um esforço ardente sob quaisquer circunstâncias para a consecução de um objetivo bem definido na vida”.

Manter a consciência na prática no yoga exige a aplicação de tapas. Enquanto você realiza sua prática de hatha yoga, assimila essa autodisciplina, incorporando-a no seu dia a dia.

INCORPORE A AÇÃO AUTODISCIPLINADA PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS DA VIDA

Esse condicionamento positivo pode facilitar suas respostas frente aos desafios da vida. E dar forças para você fazer o que é preciso ser feito. Sem negligências. Tendo coragem para admitir em que precisa melhorar e dar passos concretos nessa direção. Você consegue visualizar como pode ter um grande desenvolvimento em todas as áreas, se vivenciar tapas? Que, ao invés de algo cansativo, pode ser libertador?

Provavelmente o que passa na sua mente quando você ouve a palavra autodisciplina é algo chato, cheio de regras e exigências. Ou então algo que você consegue ter às vezes, mas não sempre. Você pode alegar que acorda cedo, trabalha e/ou estuda muito, assume muitos afazeres com a casa, família, filhos etc. e que é difícil dar conta de tudo. Pode dizer ainda que, apesar da preguiça que sente, realiza muitas coisas no seu dia. Encarar a si mesmo com franqueza é difícil, porque exige acabar com todas as desculpas que dizemos para nós mesmos.

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COMO COMEÇAR A MUDAR: PARTA DO POSSÍVEL

Existe o ideal e existe o possível. Primeiro, tente notar se você é indisciplinado, preguiçoso ou pouco motivado. São coisas diferentes! Depois, procure perceber a diferença nos resultados quando você se esforça em fazer o que é necessário e importante primeiro, adiando as atividades mais prazerosas. Percebe como tem mais sucesso?

Uma dica é começar com uma mudança de cada vez, e, de preferência, pequena. Se quiser mudar tudo ao mesmo tempo, vai gerar frustração e acabará não chegando a lugar algum. Assim, em vez de recorrer ao julgamento, substitua hábitos, pensamentos e sentimentos nocivos por outros melhores – como por exemplo a reclamação pelo contentamento a agitação externa pela sabedoria da vibração interna etc.

Namastê!

Silvia Oliveira

CONTENTAMENTO (SANTOSHA)

CONTENTAMENTO (SANTOSHA)

Os cinco niyamas são instrumentos poderosos que podem ser utilizados para manter o corpo, a mente e o espírito saudáveis e felizes.

Dentre elestemos santosha que significa “contentamento”. À primeira vista, ele nos parece algo de difícil aplicação, principalmente se levarmos em conta que vivemos em um contexto social, cultural e histórico que cultiva uma eterna insatisfação. Como diz a canção do The Rolling Stones, “Satisfaction”, o eu lírico não consegue se satisfazer. A satisfação parece um bem-estar inalcançável.

Estamos submetidos a um verdadeiro bombardeio de convites, de apelos e até mesmo de imposições que prometem nos trazer satisfação inesgotável.

Tudo em vão. Na verdade, a insatisfação só aumenta no meio de tudo isso. Como satisfazer a sede do insaciável? A mídia incentiva você a consumir mais e mais, o mais atual, o mais avançado, a tecnologia mais revolucionária, o “0 km”. Enquanto isso, o planeta fica insustentável. Não somente o habitat do ser humano (a natureza, a ecologia, as rodovias, os rios etc.) se deteriora, mas também o nosso universo interno, viciado na insatisfação eterna, preso na armadilha de acreditar que podemos completar com bens materiais a alma, o coração, a psique.

Ainda discorrendo sobre o conceito do contentamento, é sempre bom perguntar “que adianta conquistar tantos bens materiais se, para comprá-los, nós perdemos a paz de espírito?”. É exatamente aí que entra o conceito do contentamento (santosha), que serve como uma chave para que possamos ter sucesso verdadeiro em todas as áreas, e o valor do yoga.

Em todas as etapas de seu sistema, o yoga proporciona formas de praticar esse contentamento. Quando propõe a auto-observação, ajuda o praticante a identificar o quanto está ou não satisfeito com o momento presente. É o primeiro passo para a mudança: identificar como estamos. Tente, por exemplo, ficar em silêncio. Nesse exercício, você vai perceber se sua mente está em ruído constante, perturbada, inquieta e insatisfeita demais. É como encontrar um “termostato interno” que serve para alertá-lo sobre o grau de conturbação interior.

No processo contemplativo tão próprio da meditação, aprendemos a reconhecer e aceitar a nossa realidade interna, a deixá-la conviver com a realidade externa de modo que diminua a insistência da mente em se deixar escravizar por desejos, expectativas e ansiedades que são estimulados de fora para dentro. Silenciar internamente é um grande desafio. Para começar, você pode dar um comando de paz a essas inquietações, iniciando e treinando esse autocontrole.

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Não que o aprendizado seja fácil, nem rápido. O “ego” é insaciável; quer tudo para si. Contrariamente a isso, e com a devida boa vontade, exercitando-se a segurar a vontade invertida, qualquer pessoa pode treinar e progredir. Disso brota o propósito do servir; um servir desinteressado, verdadeiramente altruísta, que pode ser praticado de inúmeras formas a começar pelas mais corriqueiras, como abrir mão de maus pensamentos, de criticar (mesmo que “apenas” mentalmente), de reclamar, de querer que os outros façam algo por você (seja o governo, a sociedade, os pais, os professores, os amigos). Em vez de demandar que sirvam você, você pode, pela força do seu silêncio interior, entender o sentido profundo que existe em dar o primeiro passo para ajudar, tendo em mente tudo o que você pode fazer por seu país, no seu lar, no ambiente de trabalho, na escola, em você mesmo.

Finalmente, surge o contentamento. Praticar e vivenciar o yoga, filosofia prática de vida, abre uma perspectiva universal de harmonia. Por meio do yoga, aprendemos a conviver com o melhor de nós mesmos, com nossa família, com nossos amigos, e a respeitar aqueles que ainda não conhecemos. Somos assim mais saudáveis e felizes, mais propensos ao contentamento sem comodismo ou conformismo.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

A Sabedoria da Vibração Interna X Agitação Externa

A Sabedoria da Vibração Interna X Agitação Externa

Essencialmente, nossa vibração energética interna é pura harmonia. Porém, ao negar, omitir ou deturpar a realidade, vamos contra o nosso ser, caindo no vazio (patologia), como nos esclarece o livro Metafísica Trilógica – A Libertação do Ser, de Norberto Keppe.

Modernamente, de tal modo temos nos afastado  dessa essência, que mal podemos ouvir sua voz clamando por liberdade. Então, como retornar ao nosso eu original e desfrutar de uma vida plena e feliz para a qual fomos criados?

Antes de mais nada é preciso perceber que geralmente “soltamos” nossas condutas prejudiciais, a nós mesmos e aos outros, enquanto censuramos fortemente perceber esse fato. Assim sendo, temos de fazer o caminho oposto: libertar a consciência e segurar o comportamento errôneo, como condição fundamental para conservar ou recuperar a saúde.

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Conforme indiquei na postagem passada, vem como passo inicial o reconhecimento humilde dos nossos próprios erros, tendências e intenções. Tal consciência surge depois que “brecamos” nossa vontade invertida, impedindo-nos de fazer coisas destrutivas para nós e para nossos semelhantes.

Em seguida apontei como caminho conjugado, a meditação, que, no Hatha Yoga, costuma vir depois de um preparo feito através de exercícios psicofísicos e respiratórios, que envolvem também o relaxamento.

yoga propõe a auto-observação e reconhecimento da consciência do corpo, da mente e da respiração. Podemos entender que a psique está envolvida em todos esses processos, sejam internos (autoconhecimento), sejam externos (realidade e influências externas), sejam inter-relacionais (relacionamento com os demais e com Deus).

Por isso, quando pensamos no entendimento dos mecanismos da psique e a colocamos como lupa para decifrar os comportamentos patológicos, poderemos entender melhor as causas dessa “atitude apressada”, de disputa, competitividade e desrespeito que podemos observar em muitos momentos de nosso cotidiano, da qual falei na postagem passada.

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É bom ver que temos de estar atentos a nossa responsabilidade em resgatar um interior vibrante, cheio de vida e realizações. Trata-se de um resgate e não de uma conquista, pois essencialmente já somos assim. Em grande parte depende mais de aceitar, reconhecer o bem que já possuímos, e parar de atacar e / ou estragá-lo.

É fundamental nesse processo procurar realizar sempre uma ação boa, bela e verdadeira (de ajuda aos semelhantes), como afirma Norberto Keppe.. A ação boa tem essa capacidade de trazer à tona o verdadeiro ser de cada um de nós. Atividades que beneficiem não somente a si próprio, mas principalmente aos demais.

“O ser em si é basicamente o amor, e só se torna inteligível através dele; posso mesmo afirmar que não se trata de agir por afeto, mas que a verdadeira ação por si mesma é o amor – pessoa alguma poderá realmente existir senão pelo amor.”                                                                         (Norberto Keppe

No texto da postagem passada, “Sabedorias da Lentidão”, constatei que podemos perceber que a realidade que nos cerca vem construindo seres desconexos e estressados e estes, por sua vez, formam uma sociedade apressada e doente. E propus o yoga e suas práticas meditativas como um excelente meio para harmonizar a rapidez, que é uma virtude, com as sabedorias da lentidão.

Dr. Keppe em seu livro Metafísica Trilógica – A Libertação do Ser, já citado, nos mostra que essa sabedoria precisa estar imbuída de energética, vibração interna (positiva por natureza) que decorre da ação boa. A sociedade segue valores invertidos, que conduzem as pessoas a pensarem que a realização bem sucedida decorre de fatores externos. Como se a agitação externa, a correria, a atitude apressada é que permitisse o sucesso. E não que o externo saudável, próspero e equilibrado depende dessa vibração interna que possui uma sabedoria intrínseca. Sendo necessário conscientizar as patologias psíquicas pessoais e sociais para que o “ser” possa desabrochar.

     “A ação pura é o ato primeiro que faz toda a perfeição essencial se   manisfestar”

(Norberto Keppe)

                                                                                                         

Concluindo, no processo de autoconhecimento que o Hatha Yoga propõe, em todos os seus aspectos e etapas, a prática, a vivência, isto é, a ação vem em primeiro lugar. Sejam os aspectos subjetivos (como meditação, mentalização etc.) ou objetivos (como exercícios físicos, respiratórios etc.). Consequentemente vem a consciência do corpo, da mente e da respiração. Alcançando beneficamente a psique e o espírito.

A prática desse sistema é potencializada com a interiorização dos saberes comentados nesse breve texto, com o reconhecimento de que o menor não pode produzir o maior, os sentidos não podem produzir pensamentos e a agitação externa não pode fornecer bons resultados.

Referências bibliográficas:

PACHECO, Claudia Bernhardt de Souza. De olho na saúde – O ABC da psicossomática trilógica. 1. ed. São Paulo : Proton Editora, 2007. p. 21, 67, 68

KEPPE, Norberto R. Metafísica Trilógica – A libertação do Ser. 2. Ed. São Paulo : Proton Editora, 1999. p. 18, 130, 13