A consciência na prática do yoga: consciência no corpo

A consciência na prática do yoga: consciência no corpo

Onde existe consciência, existe vida. No yoga, a consciência pode ser dividida em três núcleos: consciência do corpo, consciência da respiração e consciência da mente. Falaremos sobre cada um deles separadamente, mas é bom lembrar que eles estão em constante interação. São inseparáveis – da mesma forma que os passos do aprendizado e da prática do yoga, de acordo com Patanjali. O yoga propõe integrar e aprimorar os aspectos internos (psíquico e espiritual) por meio dos aspectos externos (que estão no físico). Por meio do corpo como instrumento, podemos desenvolver as dimensões mais sutis. 

No hatha yoga, consciência do corpo (também poderíamos dizer  consciência no corpo) indica o ajuste na posição (asana). Esse ajuste ocorre quando o corpo encontra conforto e equilíbrio na postura estável sem que apresente contrações dolorosas ou angústias. É por isso que se diz que, ao conquistar o asana, o iogue assume naturalmente a posição que pretendia alcançar.

Quando isso acontece, é desejável trabalhar os aspectos sutis ou internos (mente, emoções e alma) por meio do aspecto grosseiro ou externo (o corpo). Patanjali não descreve quais são os diferentes asanas do yoga, apenas diz que um asana é a posição que deve ser estável e confortável, contemplando o relaxamento do esforço.

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Com a devida observação, o praticante de yoga percebe como o seu corpo está no espaço. Ele percebe isso como se olhasse para um espelho interno. Sempre respeitando os seus limites, ele observa seu mestre. Contudo, sabe que o asana é só seu, e não deverá ser comparado ao de mais ninguém. É então que ele aprende como executar o asana corretamente, pois internaliza os métodos de entrada, manutenção e finalização da posição.

Essa percepção é desenvolvida por meio da constância, da persistência na prática atenta. Com o tempo, o praticante ganha autonomia e aprende a identificar os muitos efeitos que as variadas posições de yoga causam ao corpo, à respiração e à mente. Dessa forma, ele sente os benefícios do yoga em sua totalidade transformadora, e também pode vivenciá-los no seu dia a dia.

Namastê!

Silvia Oliveira

A base que fundamenta toda a prática do hatha yoga

A base que fundamenta toda a prática do hatha yoga

Considero primordial o esforço de transformação pessoal antes de tudo.

Desenvolver um corpo forte, ágil e flexível, bem como ter equilíbrio, concentração e tranquilidade mental são benefícios que buscamos e que o yoga nos oferece. Porém, são agradáveis frutos da prática do hatha yoga. A saúde integral, isto é, de corpo, mente e espírito, depende também da atenção ao essencial, por isso vale a pena prestar atenção naquilo que fundamenta nossa prática.

Sabendo disso, há cerca de 2 mil anos, o sábio Patanjali nos mostrou o caminho das pedras. No texto que se tornou conhecido como Yoga Sutras, ele sugere uma prática descrita numa metodologia de oito etapas que depois veio a ser chamada de ashtanga yoga – ou yoga de oito (asta) partes (anga):

1- Aprender a viver em harmonia com os outros (yamas);

2- Manter o corpo, a mente e o espírito saudáveis e felizes (niyamas);

3- Praticar posturas psicofísicas para fortalecer o corpo (asanas);

4- Respirar corretamente para fazer fluir a energia (pranayama);

5- Concentrar nossas forças mentais no interior do ser (pratyahara);

6- Focalizar toda a atenção em determinado objeto (dharana);

7- Repousar em meditação profunda e natural (dhyana);

8- Equanimidade, transconsciência (samadhi).

Os dois primeiros passos, yamas (disciplina externa) e niyamas (disciplina interna) são a base que alicerça toda a prática do hatha yoga. E você pode perguntar: o que isso tem a ver com o meu dia a dia? E pensar: isso deve ser algo difícil de fazer, que só praticantes de yoga muito experientes conseguem aplicar.

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Mas o mais interessante é que vale tanto para o praticante muito experiente quanto para o iniciante: o caminho é o mesmo. Esses princípios éticos são como um farol do processo de transformação individual. Use-os para perceber se está no percurso certo, sempre respeitando o seu ritmo, os seus limites. Note o quanto a sua prática de yoga pode enriquecer sua vida. Talvez nesse ponto você se pergunte: estou mais presente no aqui e agora? E como está a qualidade dos meus pensamentos?

Em nosso blog há mais informações sobre cada um dos yamas e niyamasNossa prática de yoga se beneficiará enormemente se os aplicarmos ao nosso dia a dia.

Namastê!

Silvia Oliveira

BANDHAS -POTENCIALIZANDO SUA PRÁTICA DE YOGA

BANDHAS -POTENCIALIZANDO SUA PRÁTICA DE YOGA

Na literatura do yoga, usa-se a palavra bandha (que literalmente significa um nó) para nomear vários tipos de contrações e relaxamentos musculares que influenciam os sistemas nervoso, vascular e glandular.

Os bandhassão contrações de determinadas áreas do corpo, como plexos, nervos, órgãos e glândulas, que estão relacionadas aos chacras, centros da energia vital, e que funcionam como canalizadores do fluxo energético. Quatro deles são cruciais:

  • jalandhara– contração da garganta,
  • uddiyana– contração do abdômen,
  • mula– contração do assoalho pélvico, e
  • jihva– contração da língua.

bandhas

A execução de jihva bandha, contração da língua, pode ser visualizada na figura 3 da imagem abaixo.

Podem ser executados sozinhos, ou combinados entre si ou com algum asana ou pranayama, para serem potencializados. Porém, só adote essas combinações se a prática continuar sendo confortável: respeite o princípio da progressividade.

Veja um exemplo de combinação de pranayama e bandhas.

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No exercício kumbhaka bandha, acima, é utilizada a respiração completa, em suas 4 fases.

fases-da-respiracao

Segue a descrição desse exercício, passo a passo. Inicialmente somente com ritmo, e depois incluindo os bandhas.

Respiração completa com ritmo (antara kumbhaka)

  • Inspirar dilatando primeiro a parte baixa dos pulmões, depois a média e em seguida a alta, contando um tempo.
  • Reter o ar, contando dois tempos.
  • Expirar, soltando o ar primeiramente da parte alta, depois da média e por fim da baixa, contando um tempo.

Para os mais adiantados, o ritmo pode aos poucos passar para 1-4-2 tempos, que é muito mais forte.

Respiração completa, com ritmo e com bandhas (kumbhaka bandha )

Este exercício estimula o funcionamento do sistema endócrino e do sistema nervoso, melhora a digestão e a excreção e otimiza a oxigenação do sangue.

  • Inspire como no exercício acima, só que, ao inspirar, eleve o queixo, enquanto conta um tempo;
  • Retenha o ar, contando dois tempos, pressionando a língua no palato mole (céu da boca);
  • Completando a expiração, faça o bandha traya, a contração tríplice. Comprima o queixo na depressão jugular e pressione firmemente a glote em jalandhara bandha. Juntamente faça uddiyana bandha, a contração dos músculos e plexos abdominais. A seguir, mula bandha, contraindo fortemente os esfíncteres do ânus e da uretra.

Os mais adiantados podem aos poucos adotar o ritmo de 1-4-2 tempos.

Com a experiência, você poderá englobar num mesmo momento da sua prática de yoga várias técnicas – poderá, por exemplo, combinar os bandhas com os asanas e/ou pranayamas. Um exemplo: suponhamos que você esteja em um momento exigente durante algum asana, como o paschimotanasana (posição da pinça – alongamento posterior intenso). Se incluir o mula bandha (contração do assoalho pélvico) e o uddiyana bandha (contração dos músculos e plexos abdominais) durante a expiração no momento em que mais se rende na posição, protegerá a coluna e ajudará a evitar lesões musculares e articulares.

paschimotanasana-natureza

paschimotanasana – posição da pinça – alongamento posterior intenso

Durante a prática de yoga, nenhuma parte do corpo fica esquecida. Associamos pranayamas, bandhas, asanas e mentalizações para que, idealmente, um potencialize o outro. Dessa forma, vivenciamos o yoga de forma intensa, pois percebemos como esse sistema pode trabalhar nosso ser de maneira holística – beneficiando a um só tempo o corpo físico, o corpo sutil e a mente.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

 

 

 

 

 

A consciência na prática do yoga: consciência da mente

A consciência na prática do yoga: consciência da mente

 Onde existe consciência, existe vida. No yoga, a consciência pode ser dividida em três núcleos: consciência do corpoconsciência da respiração e consciência da mente. Falaremos sobre cada um deles separadamente, mas é bom lembrar que eles estão em constante interação. São inseparáveis – da mesma forma que os passos do aprendizado e da prática do yoga, de acordo com Patanjali. O yoga propõe integrar e aprimorar os aspectos internos (psíquico e espiritual) por meio dos aspectos externos (que estão no físico). Por meio do corpo como instrumento, podemos desenvolver as dimensões mais sutis. 

 

A consciência presente na mente pressupõe atenção no momento presente. Ela nos ensina a cultivar o estado de presença, a estar inteiramente no aqui e agora. Nosso ser é, em essência, tranquilo e sereno, mas com nossa inversão de percepção de mundo e, consequentemente, com a mente inquieta e agitada, encontramos dificuldade para nos aquietarmos. Exatamente por isso Patanjali  escreve que o yoga é a cessação dos turbilhões da consciência (yogas citta vrtti nirodhah).

Dentre os oito passos (partes de um todo) propostos por ele, temos o quinto, pratyahara, que recolhe a mente dos sentidos. Discorreremos mais a respeito desse passo em breve.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

 

A consciência na prática do yoga: consciência da respiração

A consciência na prática do yoga: consciência da respiração

Onde existe consciência, existe vida. No yoga, a consciência pode ser dividida em três núcleos: consciência do corpo, consciência da respiração e consciência da mente. Falaremos sobre cada um deles separadamente, mas é bom lembrar que eles estão em constante interação. São inseparáveis – da mesma forma que os passos do aprendizado e da prática do yoga, de acordo com Patanjali. O yoga propõe integrar e aprimorar os aspectos internos (psíquico e espiritual) por meio dos aspectos externos (que estão no físico). Por meio do corpo como instrumento, podemos desenvolver as dimensões mais sutis. 

gosto em respirar

O controle da respiração, denominado pranayama, é uma parte essencial, indispensável para a prática do yoga.  Ela serve de alicerce para o aprendizado de outras técnicas.

No yoga precisamos, portanto, conhecer a própria respiração, entender como ela funciona. Para isso, devemos vivenciar as várias formas de respirar. O yoga não diz que existe somente uma forma correta de respirar. Em vez disso, nos ensina como utilizar toda a capacidade respiratória de quatro formas distintas: respiração baixa, média, alta ou completa.

meditar zen

Com o tempo, começamos a distinguir qual é a melhor para determinado momento, lugar e circunstância. Seja durante a prática de hatha yoga (por exemplo, durante uma aula), seja vivenciando o yoga em outras situações do dia a dia, a consciência da respiração (ou na respiração) é fundamental.

Quanto mais controle temos da respiração, mais controle temos do corpo. A exigência em uma posição (asana) interfere na respiração, e o que buscamos durante a prática é justamente inverter esse processo. Por meio da respiração relaxada é possível, por exemplo, permanecer em uma posição desafiadora, adaptando-se e entregando-se, desfazendo o esforço interno.

posição do guerreiro montanha

Quando você se conscientiza de determinada região do corpo, pode intencionalmente levar mais oxigênio e energia para esse local. Através da consciência, você pode interferir no fisiológico, pode incrementar a circulação sanguínea e também interferir na fisiologia sutil, desbloqueando os canais de energia. Tudo depende de empenho, dedicação e prática. E, para termos ânimo nessa constância, podemos lembrar dos benefícios transformadores – como autoconhecimento, vitalidade e incremento de sua própria prática de yoga.

Namastê!

Silvia Oliveira

Quer dormir melhor? Experimente fazer essa sequência de asanas

Quer dormir melhor? Experimente fazer essa sequência de asanas

Pratique yoga para diminuir a ansiedade e trazer mais tranquilidade, melhorando a qualidade do sono. Segue sugestão de sequência de asanas -posições de yoga – para você dormir melhor!

 vajra hamsasana
cisne – anteflexões sentadas com as pernas flexionadas
sukkha-lolasana
sukha lolasana
balanço – balanço sobre as costas
bitilasana
bitilasana
posição da vaca
marjaryasana
marjaryasana
posição do gato
posição da criança
   balasana
posição da criança
baddha-konasana
 baddha konasana
posição entrelaçada do ângulo
 supine-spinal-twist-jathara-parivartanasana
 jathara parivartanasana
torção deitado
 back-stretching-pose-paschimottanasana1
raja paschimotanasana
posição da pinça – alongamento posterior intenso
dwi-pada-pitham-1
dwi pada pitham
 posição da mesa de duas pernas
simple_yoga_stretches_to_relax_and_support_your_pelvic_floor-apanasana
apanasana
posição deitada de costas e com a perna de encontro ao peito
SEQUÊNCIA DE POSIÇÕES RESTAURATIVAS NA PAREDE
soothing-restorative-poses-2
soothing-restorative-poses-1
soothing-restorative-poses-3
soothing-restorative-poses-4
svara-savasana
svara shavasana
corpo sem vida – relaxamento deitado
 favorável para praticar respiração diafragmática
shavasana-na-grama
shavasana
posição do morto
meditar-en-la-cama1
sukhasana – posição fácil
favorável para praticar meditação
Você pode marcar o tempo de permanência em cada posição em número de respirações. Por exemplo, cinco respirações em cada. Depois, com a prática, você poderá ampliar esse tempo, sempre expirando devagar. Mantenha um ritmo tranquilo durante a sequência e enquanto faz a passagem de um asana para o outro, garantindo assim a qualidade da concentração. Respeite seus limites e história corporal. E, acima de tudo, cultive o estado de presença, permanecendo o mais possível no aqui e agora.

Esses são alguns dos muitos aspectos normalmente observados durante uma aula de yoga. Com bom senso e auto-respeito, experimente essa sequência de asanas que poderá ajudar a promover um sono renovador!

Namastê!
Silvia Oliveira

 

Dicas para um sono tranquilo

Dicas para um sono tranquilo

Você deita, fica rolando na cama, e o sono parece bem longe de querer aparecer. Se você sofre desse problema, não está sozinho. Com a agitação do mundo moderno, os problemas para dormir são cada vez mais comuns e podem ser causados por motivos diversos – tais como ansiedade, preocupação, excesso de trabalho ou de cafeína. E não existe coisa pior do que deitar na cama e não conseguir dormir.

Se o problema é uma constância na sua vida, o melhor é procurar um especialista. Algumas dicas, porém, podem ajudar a amenizar a falta de sono na hora de dormir, principalmente se isso acontece apenas de vez em quando.

– tente manter o costume de deitar e acordar sempre na mesma hora, mesmo nos finais de semana.

– procure não dormir durante o dia – as costumeiras “sonecas” podem piorar a qualidade do sono no horário de dormir.

– à noite, faça refeições leves, para não sobrecarregar o sistema digestivo.

– procure fazer do quarto um local apenas para dormir, sem televisão ou computador. Comece a relaxar e se “desligar” pelo menos uma hora antes de ir para a cama.

dormir-bem bebê

– reduza a cafeína, principalmente depois das 17h. O álcool também atrapalha o sono.

– tome chás calmantes à noite, como valeriana, capim-limão, camomila, alfavaca e maracujá. Só não exagere, para não ter que se levantar de madrugada para ir ao banheiro.

– tome um copo de leite morno com uma pitada de noz-moscada antes de dormir.

– faça massagem nos pés com óleo vegetal e uma ou duas gotinhas de óleo essencial de lavanda.

– tome um banho morno relaxante. Se quiser usar óleos essenciais para relaxar, melhor ainda!

– evite fazer exercícios à noite. Para algumas pessoas, eles são altamente estimulantes.

– faça um relaxamento ou yoganidra antes de dormir. Pode usar uma gravação para ajudar ou músicas tranquilas ou sons de natureza.

shavasana na grama

– evite medicamentos para dormir. Eles podem causar dependência e, depois de algum tempo, você não conseguirá dormir sem eles.

– pratique yoga para diminuir a ansiedade e trazer mais tranquilidade, melhorando a qualidade do sono. Algumas posturas, como baddha konasana (postura entrelaçada do ângulo), upavishta konasana (postura sentada do ângulo), paschimottanasana (postura da pinça), balasana (postura da criança) e savasana (postura do cadáver) são sedativas e ajudam a relaxar. Evite práticas muito fortes pelo menos três horas antes de deitar, pois podem excitar demais o sistema nervoso. Veja aqui uma sugestão de sequência de asana – posições de yoga – para melhorar o sono.

relax na natrureza

– faça pranayama (exercícios respiratórios) relaxantes antes de dormir, como a respiração diafragmática – aquela que realizamos naturalmente quando bebês, movimentando o abdômen. Aqui um passo a passo:

  1. Deite-se com as pernas flexionadas, a planta dos pés no chão, as mãos abaixo do umbigo e a ponta dos dedos médios se tocando. Feche os olhos e inspire pelo nariz, contando até 4 e sentindo o abdômen inflar. Expire pelo nariz bem devagar, até murchar o abdômen completamente.
  2. Com as mãos na altura das costelas, repita a respiração.
  3. Com as mãos sobre o peito, inspire pelo nariz contando até 4 e sentindo o abdômen inflar. Segure o ar o tempo que aguentar. Expire pelo nariz até murchar o abdômen completamente. Repita a respiração quantas vezes achar necessário ao longo do dia.

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A qualidade do sono reflete nosso dia a dia. Nossas emoções, dieta, movimento – enfim, os hábitos diários – pedem autodisciplina e moderação. A prática de yoga nos dá o suporte necessário para termos maior consciência do corpo, da respiração e da mente. E o resultado é um sono mais tranquilo e renovador.

Namastê!
Silvia Oliveira

Respiração da alma – Pranayama

Respiração da alma – Pranayama

Respirar profundamente estimula o funcionamento dos órgãos e vísceras (principalmente coração, estômago, rins e intestino), que, por meio dos movimentos respiratórios, recebem uma massagem. O controle da respiração, denominado pranayama, é indispensável para a boa prática do yoga e serve de alicerce para o aprendizado de outras técnicas.

Prana é a energia que está presente em tudo o que é vivo. É a respiração da alma, e rege emoções como entusiasmo, coragem, alegria. Regula também todas as nossas funções orgânicas e físicas. Pedro Kupfer, no Dicionário de Yoga, diz que o volume de prana que circula no corpo determina o grau de vitalidade de cada indivíduo. Entre as principais fontes de prana estão a luz e o calor do sol, alimentos, água e, principalmente, o ar. Mente e prana funcionam como as asas que permitem o voo: a mente é o poder da percepção, e o prana o poder da ação.

No yoga, que não tem a respiração como um fim em si, mas como uma ferramenta inerente à sua prática, valoriza-se a pausa e o prolongamento da expiração. Para aprender exercícios específicos, a orientação de um especialista é sempre indispensável: existem diversos métodos que modulam a ventilação dos pulmões por meio de estímulos diferentes

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O exercício abaixo une pranayama e mentalização, resultando em uma excelente técnica de vitalização.

CARREGAMENTO ENERGÉTICO DO PLEXO SOLAR

A área entre o umbigo e o encontro das costelas (ponta do esterno) é onde se encontra o plexo solar, no corpo físico, e o chakra manipura, no corpo sutil. Tanto um como o outro são condensadores de energia: desse ponto, o influxo energético se espalha para outras partes do corpo. O carregamento dessa bateria tão importante merece cuidados, especialmente daqueles que se sentem fracos, abatidos, indispostos e deprimidos. Essa é uma técnica de vitalização indicada pelo professor Hermógenes no livro Yoga para Nervosos.

chakras

Deite-se de costas, com a cabeça para o norte e as pernas cruzadas, como em sukhássana. Coloque as mãos, com os dedos trançados de maneira que as unhas fiquem em contato com a palma da outra mão, sobre o plexo solar. Tente relaxar o corpo inteiro, desde o rosto até as mãos e os pés.

Inspire lenta e uniformemente, buscando visualizar uma luz quente e dourada que penetra pelo alto da cabeça, flui através do tórax e se detém na linha formada pelas virilhas. Visualize aí o prana represado, que não consegue escapar porque seus pés estão cruzados.

Expire lenta e uniformemente, traga para cima o prana acumulado e imagine que ele gira no sentido horário em seu plexo solar, como se em seu ventre houvesse um relógio cujo mostrador estivesse em seu umbigo. Imagine o maior número possível de círculos enquanto expira, procurando sentir o calor manifestar-se para todo o seu corpo a partir do plexo solar. Procure fazer esse exercício por no mínimo 15 minutos.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Abster-se do desejo de posse – Aparigraha

Abster-se do desejo de posse – Aparigraha

Aparigraha é o quinto yama (preceitos éticos do yoga) e significa abster-se do desejo de posse ou desistir de cobiçar.

A tendência de acumular bens, que a maioria de nós tem, é bastante explorada pela sociedade atual e pela mídia, que incentiva você a consumir mais e mais: o mais avançado, a tecnologia mais revolucionária, o “0 km”.

Sabendo como funciona a natureza humana e nossas tendências, podemos utilizar estratégias que nos ajudem a não ser presa fácil do consumismo e da ganância.

Não possuir com apego é uma maneira de lidar com o que se recebeu da vida. O pensamento baseado no “eu” e no “meu” tem seu lugar e momento, mas, quando invade indiscriminadamente as várias áreas de nossa vida, precisamos rever valores e prioridades. Existe uma diferença essencial entre ter algo ou ser possuído por esse algo.

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O medo de perder, de ser roubado, a dependência e/ou apego a outras pessoas, seja direta ou indiretamente, são fatores que causam estresse emocional e doenças, como depressão, síndrome do pânico e ansiedade. Esses medos e apegos podem ter sua raiz na propensão a acumular e na vaidade. Um exemplo é o apego ao corpo, que deve ser bem cuidado, porém sem exageros e sempre com sensatez.

No hatha yoga é muito fácil confundir o aprimorar-se, o estar cada vez melhor, com o número de posturas (asanas) que se conquista, com a flexibilidade, com a aparência. E a dependência do reconhecimento alheio e a vaidade que atitudes desse tipo geram nos roubam a preciosa paz de espírito, tão importante para o verdadeiro avanço na senda do yoga.

posição da criança

Somos confrontados a perceber a importância do contentamento, santosha. Eu posso me alegrar por tudo o que tenho, e não me estressar querendo sempre mais e mais. Posso me esforçar, trabalhar e desejar conquistas materiais, porém numa constante revisão de prioridades. Encontro tempo para coisas realmente importantes? Que sustentam o meu ser? Como praticar yoga, meditação ou um hobby, e estar com a família? Ou invisto toda a minha energia para manter um estilo de vida ostensivo?

Simplificar hábitos – esforçando-se para manter apenas o que você precisa e querendo apenas o que precisa, reconhecendo a tendência à vaidade e cobiça, cultivando gratidão por tudo que tem recebido, e possuindo com desapego – forma um caminho que conduz a uma real satisfação, focada no que realmente importa.

Namastê!

Silvia

Moderação dos sentidos – Brahmacharya

Moderação dos sentidos – Brahmacharya

              “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”

1 Coríntios 6:12

A tradução literal de Brahmacharya é “caminhar na consciência de Deus”.  Este é o quarto yama (disciplina externa) que nos orienta a preservar energia e canalizá-la da melhor forma, tendo como farol essa consciência divina.

O ser humano possui necessidades primitivas – por comida, sono, sexo e autopreservação. São estímulos instintivos que precisam ser satisfeitos, porém moderação é a palavra chave que deve guiá-los, para que tenhamos saúde, qualidade de vida e paz de espírito. Brahmacharya também significa fazer as coisas bem feitas de maneira a dedicá-las ao Criador.

Podemos perceber como grande parte da nossa vida gira em torno de satisfazer essas necessidades. Como podemos atender a essas demandas sem desperdiçar tanta energia? E, ao invés disso, direcioná-las com sabedoria, de modo a potencializar nosso desenvolvimento pessoal e consequente autotransformação?

O caminho de equilíbrio para lidar com esse dilema é nem reprimir, nem liberar completamente. Assim como em tudo no yoga, você olha para a situação, reconhece a necessidade em si, como se sente a respeito, e a encara com aceitação. Observa e permite uma atividade moderada. Daí você pode ter o controle de parar, se decidir. Por isso o conceito de brahmacharya também está ligado à castidade, que é a temperança na libido – temperança é guardar o equilíbrio; seus opostos são a luxúria e o destempero.

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A moderação em todas as atividades sensuais permite não desvirtuar a sexualidade.

Sabemos que os exageros, em geral, não são saudáveis. Por isso a importância de ser honesto consigo mesmo. Sem comparar-se com os demais.

Mesmo reconhecendo tudo isso, é difícil conquistar esse equilíbrio. Cultivar o contentamento, santosha, nos ajuda a reconhecer tudo o que já temos e a sermos agradecidos. Permite acalmar nossos sentidos percebendo que os excessos nos esgotam, desconcentram e enfraquecem.

Devemos exercitar o autoestudo, svadhyaya, e desenvolver viveka, discernimento, para fazermos boas escolhas. Como por exemplo na alimentação – que seja nutritiva, equilibrada, revigorante. Em relação ao sono, tanto a falta quanto o excesso mostram um desequilíbrio, e você pode rever hábitos, tirando melhor proveito desse momento que pode ser renovador.

Podemos ser mais seletivos na escolha de companhias, livros, filmes etc., para que sejam proveitosos ao desenvolvimento pessoal, tragam riquezas para a personalidade e favoreçam a sanidade psíquica e espiritual.

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Enfim, não se estresse buscando a perfeição, mas busque fazer tudo muito bem feito, o melhor que você conseguir. Como sempre, não existe receita de bolo para conseguir vivenciar os preceitos éticos do yoga. Cada um os experimentará à sua maneira e, com o devido esforço, se desejar, aprenderá a controlar-se, direcionando da forma mais sábia possível a satisfação dos sentidos com equilíbrio, prazer e alegria.

Namastê!

Silvia Oliveira