Meditação – Dicas infalíveis

Meditação – Dicas infalíveis

No hatha yoga, a meditação costuma vir depois de um preparo feito por meio de exercícios psicofísicos e respiratórios, que envolvem também o relaxamento. Ao meditar, o praticante procura um espaço entre os pensamentos e deseja não conversar com eles.

A meditação não é algo místico, paranormal, religioso, nem filosófico. Por certo, é adotada em diversas religiões diferentes, mas não passa de uma prática. Seus benefícios são incontáveis. Ela reduz a ansiedade, produz efeitos de profundo relaxamento, traz qualidade de vida, melhora o sono e favorece a capacidade de concentração. Em estágios mais avançados, pode levar a estados alterados de consciência. Vamos começar?

  • ESCOLHA UMA “ÂNCORA”

Para começar, você pode utilizar técnicas bem simples, como deve ser em toda a prática do yoga. Isso demanda disciplina e esforço, assim como todas as atitudes que podem trazer benefícios, mas o começo é simples. É parar e fazer!

Para permanecer num estado contemplativo você precisa estar presente; não conversar com os pensamentos ajuda muito. Encare-os como nuvens que passam, e não se apegue a nenhum deles. De repente, entre tantos pensamentos indo e vindo, surge um espaço silencioso. Pronto! Você conseguiu.

Você pode utilizar “âncoras” que ajudam a não se deixar levar pelos pensamentos, por exemplo, usar uma frase como pano de fundo – curta e de grande significado pessoal. Uma que gosto muito e sugiro é a frase do Professor Hermógenes: “Entrego, confio, aceito e agradeço”. Também é possível visualizar uma imagem, como a chama de uma vela acesa, entre as sobrancelhas, ou simplesmente focar a atenção na respiração.

Lembre-se de que essas são apenas variedades de “âncoras”, não a meditação em si.

  • CAPRICHE NA POSTURA

Sentar da maneira mais confortável possível, mantendo a coluna alinhada de forma natural, favorece a prática da meditação. É importante estar sentado mantendo a atitude interna que um asana (posição de yoga) propõe, isto é, firme e confortável. Se você, por qualquer motivo, não sentir estabilidade e conforto sentado na almofada sobre o chão, sente-se em uma cadeira, banco ou poltrona. O primordial é estar com a coluna alinhada.

sentado na cadeira

Como diz a canção do Walter Franco: “tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

Sente-se e medite enquanto pratica um dos asanas tradicionais do hatha yoga, como:

  • Sukhasana ou posição fácil

Sente-se com as pernas unidas e esticadas. Utilizando as mãos, flexione a perna esquerda e leve o pé para baixo da perna direita. Em seguida, flexione a outra perna e leve o pé direito para baixo da perna esquerda. Conserve o tronco na vertical;

postura fácil

  • Padmasana ou posição de lótus

Sente-se com as pernas unidas e estendidas. Descanse o peito do pé direito sobre a coxa esquerda de forma que a sola do pé fique voltada para cima. Depois, descanse o pé esquerdo sobre a coxa direita. Ambos os joelhos tocam o solo e apontam para frente. Os calcanhares pressionam o abdômen logo acima da região pubiana;

postura de lótus

  • Vajrasana ou pose do diamante:

Ajoelhe-se conservando os joelhos juntos e os pés esticados de forma que a pernas se apoiem no solo. Os dedos dos pés ficam apontados para dentro e quase se tocam.

Sente-se sobre as pernas, mantendo a cabeça alinhada e a coluna ereta, sem rigidez.

pose do diamante

Tente começar devagar, fazendo 5 minutos ao dia. Aos poucos, vá aumentando o tempo da meditação à medida que for se tornando mais confortável. Lembre-se de desfazer o esforço interno, o esforço mental, focando no aqui e agora, livre de expectativas.

A constância e persistência trarão o tesouro do autoconhecimento, e todas as joias preciosas que decorrem disso.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

 

Meditação para treinar o músculo da atenção

Meditação para treinar o músculo da atenção

“Coisas que nos parecem impossíveis só podem ser conseguidas com uma teimosia pacífica.” (Mahatma Gandhi)

É desejável que o estado meditativo permeie a prática do hatha yoga como um todo – desde os preceitos éticos, os yamas (disciplina externa) e os nyamas (disciplina interna), até os asanas (exercícios psicofísicos) e os pranayamas (exercícios respiratórios), sem nos esquecermos do pratyahara (abstração dos sentidos) e samyama (yoga mental).

Falemos um pouco mais da meditação, esse exercício aparentemente tão passivo, mas tão difícil de conquistar. É comum que digam que, na meditação, a gente “não pensa em nada”. Como parece muito difícil não pensar em “nada”, o iniciante acaba pensando em tudo. Isso pode deixá-lo irritado e fazer com que desista. O ideal é não criar tantas expectativas imediatistas quanto à sua prática de meditação. Vá com tranquilidade.

Por meio do treino podemos estabelecer intimidade com o próprio interior. Como minha mente funciona? Quais são as respostas automáticas dependendo do estímulo? Consigo perceber que não sou a mente? Aos poucos, quem medita vai compreendendo que é mais que os seus pensamentos. Essa descoberta é maravilhosa.

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Por meio da inteligência é possível convencer a mente do que realmente importa. A inteligência, assim como um espectador, pode observar sem se envolver, nem julgar. Pode reconhecer as propostas da mente e discerni-las.

Definimos aqui “inteligência” como uma condição que permite manejar um conjunto de pensamentos ou, até mesmo, ficar distante deles.

Por fim, é bom lembrar que meditar faz bem. A ciência vem divulgando artigos que comprovam os benefícios para a saúde humana decorrentes da prática meditativa. Muitos médicos a recomendam, como o Dr. Roberto Cardoso, obstetra e praticante de meditação há mais de 30 anos e autor do livro Medicina e Meditação – um médico ensina a meditar. De acordo com o Dr. Roberto, meditar aparentemente altera a química do cérebro, e também as vias neuronais, as quais talvez representem os vícios de pensamento que nos aprisionam. Meditando diariamente, podemos fortalecer essas vias e, assim, nos beneficiarmos ao nos “libertarmos”.

Quer tentar? Confira as dicas de como começar a meditar em nosso próximo post.

Se você tiver interesse em artigos científicos ou outros sobre esse assunto, confira esse site.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

 

 

 

 

Benefícios da respiração alternada pelas narinas – nadi shodhanam

Benefícios da respiração alternada pelas narinas – nadi shodhanam

Que tal obter inúmeros benefícios para sua saúde apenas praticando um exercício respiratório? Quer saber como? É bem simples. O nadi shodhanam (nadi = fluxo e shodhana =purificação), também conhecido como nadi suddhi (purificação dos canais energéticos) ou anuloma viloma (a conexão com a ordem natural), é um importante pranayama (exercício respiratório).

Ele atua na purificação dos canais sutis de energia do corpo para o prana (bioenergia do ar) fluir mais, liberando possíveis bloqueios. Equilibra a respiração entre as narinas esquerda e direita, bem como a atividade entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro, exercendo um efeito calmante no sistema nervoso, concentrando a mente para o propósito da meditação.

Proporciona clareza mental, reduz dores de cabeça e enxaqueca, e alivia nervosismo, ansiedade e depressão.

Tem motivos de sobra para desejar aprender? Então vamos à prática!

1) Sente-se numa posição firme e confortável, unindo polegar e indicador (jnana mudra), enquanto repousa as mãos nas pernas com as palmas voltadas para cima;

2) Inicie exalando todo o ar; com o dedo médio da mão direita, obstrua a narina direita, inspirando pela esquerda; enquanto retém a respiração, troque de mão e de narina, e expire lentamente pela narina direita;

3) Inspire por essa mesma narina (a direita); enquanto retém a respiração, troque de mão, troque de narina e expire lentamente pela outra;

4) Continue alternando entre as narinas até realizar uma rodada completa da prática (três respirações de cada lado, completando um total de seis respirações); então, abaixe as mãos e respire gentil e suavemente através das duas narinas;

5) Para uma prática mais profunda, complete mais duas rodadas. Termine expirando pela narina esquerda.

(Esse exercício também pode ser realizado somente com a mão direita, em vishnu mudra (esse gesto envolve dobrar os dedos médio e indicador na direção da palma da mão, e manter o polegar, o dedo anelar e o dedo mínimo estendidos – o polegar é usado para fechar uma das narinas e o anelar é usado para fechar a outra).

Procure coordenar com a respiração completa, percebendo a passagem do ar por toda a capacidade pulmonar, inspirando e expirando de forma lenta e uniforme. Um bom ritmo é inspirar em quatro tempos, reter o ar em sete e expirar em oito (4:7:8). Ou próximo desse tempo, sendo confortável para você. São tempos, não são segundos, porque é o seu tempo.

Assim, você associará a respiração alternada com ritmo, lentidão e respiração completa. O movimento de troca de mãos em frente ao tronco é suave.

Gosto de ensinar nadi shodhanam aliando a alternância das narinas à mudança de mão a fim de facilitar o aprendizado. Ao mesmo tempo simplifica e permite maior relaxamento dos ombros e braços. O gestual harmônico condiz e complementa a interiorização e concentração.

Para aprender exercícios específicos como esse, a orientação de um especialista é sempre desejável. O ideal é ser realizado no contexto de uma prática de hatha yoga completa, onde cada técnica potencializa a outra.

Revigore-se com esse excelente exercício e prepare sua fisiologia física e sutil para o relaxamento e a meditação, levando você a um estado de calma e clareza mental.

Namastê!

Silvia Oliveira

A falácia ao associar o yoga à passividade nas empresas

A falácia ao associar o yoga à passividade nas empresas

Uma vez, enquanto ainda trabalhava em uma empresa do setor de alimentos e agronegócio, uma gerente chegou para mim e falou exatamente assim: “nossa, você pratica yoga? Imagine, eu sou uma pessoa muito dinâmica! Não paro quieta. Isso não tem nada a ver comigo!” Na mesma hora, pensei comigo: nossa, que grande falácia.

Sim, falácia!

Yoga não é só sentar e fazer uma pose bonita como se ali nada fizesse, e muito menos realizar posturas a la Cirque de Soleil. O yoga é uma filosofia de vida milenar que nos incentiva, entre muitas coisas, a criar mais empatia e compaixão pelo próximo.

Não, você não será “mole” ou “passivo” perante as adversidades e os desafios. Se assim fosse, policiais e militares americanos não estariam praticando yoga e meditação (relatado no livro Meditation for Fidgety Skeptics).

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Eu, como especialista em Customer Experience e Pesquisa de Mercado – complexo processo para entender o relacionamento da sua organização com seus clientes para que alcancem os resultados desejados – percebo como o yoga está conectado a essa empatia pelo próximo, por isso estou me formando como professora de yoga este ano.

Empatia é essencial para que se obtenha sucesso em qualquer negócio. Se você não for um profissional empático, além de paciente e bom ouvinte, não conseguirá entender os objetivos e conceitos de sucesso de seus clientes.

Por esse motivo, yoga e dinamismo andam juntos. Com essa prática você aprenderá a conduzir seus clientes através da empatia em direção ao sucesso. Então, para aqueles que ainda não praticam por crenças equivocadas, ou simplesmente nunca pensaram no assunto, digo o seguinte: que tal começar?

Aline Ataulo

Namastê!

Sobre a autora:

Aline é aluna do Studio ShantYoga há quase seis anos e está fazendo formação em yoga no IEPY – Instituto de Ensino e Pesquisas em Yoga – coordenado pelo professor Marcos Rojo. Especialista de Customer Experience & Pesquisa de Mercado, conta com mais de 15 anos na área corporativa.

Yoga é sutil e forte ao mesmo tempo!

Yoga é sutil e forte ao mesmo tempo!

 

Você já notou que existe uma dificuldade de grande parte das pessoas em aceitar que a
sutileza e a força podem caminhar juntas? Podemos ver essa recusa em muitas áreas da
vida, como nas profissões e inter-relações.
No que diz respeito ao exercício físico, ao movimento, percebemos a influência
histórica da educação física trazendo a ideia de rendimento a qualquer custo, remetendo
à frase “no pain, no gain”, “sem dor, sem ganho”. Será mesmo? Não necessariamente o
esforço e dedicação têm de estar acompanhados de dor.
É possível constatar como muitos atletas, esportistas e até praticantes de yoga podem se
machucar e carregar sequelas por manter esse tipo de abordagem em suas práticas.

Ao contrário disso, o yoga propõe que um sorriso no semblante sempre ajuda!

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O yoga vem desmistificar esse conceito e mostra como associar respiração, mentalidade
e meditação ao fortalecimento sem impacto. Mas é claro, desde que feito de forma
prazerosa e respeitando os seus limites.

Namastê!

Silvia Oliveira

Feliz Você Novo!

Feliz Você Novo!

O ano de 2019 começou sendo uma dádiva, visto que logo no primeiro dia que dei aula no Studio ShantYoga duas pessoas vieram fazer aula experimental. Iniciar alguém no yoga é sempre um presente!

Quando comecei, há uns vinte anos, me apaixonei de tal maneira que prometi a mim mesma que encontraria uma forma de nunca mais parar, de me aperfeiçoar e levar o hatha yoga para a vida, e a melhor maneira que encontrei de fazer isso foi transmiti-lo, passá-lo à frente.

Promessa cumprida! Aqui estou eu, depois de tanto tempo, ensinando, aprendendo e crescendo. Toda vez que dou aula, estou me relembrando da importância de tantos prismas e nuances que o yoga nos faz encarar em nós mesmos.

Algumas dúvidas podem ser comuns pra quem está começando, como: “Eu sou muito agitado, não sei se yoga é pra mim; experimentei uma vez e não me adaptei”, o que pode impedi-los de começar este algo diferente. Neste ano novo, quero convidá-los a conhecer o outro lado da moeda, para, caso você seja uma dessas pessoas, saber o que o yoga pode fazer por você.

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Refletindo sobre as prioridades para 2019, resgatei um saber importante, básico e essencial: “transformar-se pela renovação da mente” (Rm 12.2). Se quisermos transformações consistentes em nossa vida e ao nosso redor, temos de renovar nosso “olhar”, nossa forma de encarar as situações. Como disse Gandhi “temos de nos tornar a mudança que queremos ver”.

Essa renovação é simples, mas não é nada fácil; o yoga nos dá instrumentos que a facilitam, tais como reaprender a respirar, se movimentar melhor e até pensar melhor. Com certeza essas ações nos conduzirão à conquista do “eu novo” que tanto desejamos.

Namastê!

Silvia Oliveira

As relações entre yoga, saúde da coluna e abdômen firme – como ter tudo?

As relações entre yoga, saúde da coluna e abdômen firme – como ter tudo?

Você já ouviu a frase “não se pode ter tudo ao mesmo tempo?” Pois saiba que no yoga você pode. Muitos já passaram pela situação de serem aconselhados pelo médico, por um amigo com frases, como “Você precisa fazer exercícios” ou “Precisa de algo que acalme a mente” e lhe recomendaram procurar por yoga ou ginástica. E você pode ter pensado: “Mas yoga é um negócio zen, de meditar, e de fazer umas poses malucas! Como isso vai me ajudar?”

É difícil pensar que ficar sentado falando “om” vai te deixar marombado, ou que fazer ginástica vai clarear sua mente. Entretanto, o que a maior parte das pessoas acaba não sabendo, por não ser muito divulgado dessa maneira, é que o yoga tem métodos adaptáveis a cada uma delas. Quer uma mente calma? Checado! Quer um abdômen definido? Checado também. Por meio desse texto, iremos lhe mostrar como se pode ter tudo!

Para termos saúde e bem-estar, precisamos buscá-los de forma integral: corpo, mente e espírito. Para que haja o todo, é preciso que haja as partes, mas isso não significa que estejam separadas. O yoga reconhece isso e consegue desenvolver todas essas dimensões, e não contente, ao mesmo tempo! O “inspira-expira” não serve só pra acalmar; serve também para fortalecer o corpo. Por meio de exercícios diversos, cada parte recebe sua importância, sendo possível relacionar todas elas. Tudo se resume à saúde da coluna e abdômen firme conquistados por meio do hatha yoga que é a origem das outras vertentes do yoga. Poderemos ver ao longo desse texto como é possível beneficiar todo o organismo por meio da saúde da coluna e da consciência no corpo, na mente e na respiração.

Vários aspectos pertencentes ao universo do hatha yoga podem promover tudo isso ao mesmo tempo:

Quanto mais controle temos da respiração, mais controle temos do corpo

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Controlar a respiração durante os asanas (as posições de yoga) auxilia a estabilização do movimento, pois, por meio da melhor e mais trabalhada oxigenação, todos os sistemas do corpo respondem melhor. Aliás, durante a maior parte da prática do yoga, é quando expiramos que conseguimos nos render mais à posição.

Assim, precisamos sustentar o centro do corpo para que não haja um esforço interno nem dor em certas partes. Esse é um dos momentos que trabalhamos o abdômen, tendo mais consciência de sua existência ao contraí-lo, e também o períneo.

Boa postura

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Após desenvolver uma consciência corporal e respiratória mais firme, o yoga melhora o alinhamento postural, pois se torna mais fácil manter-se por mais tempo com a coluna alinhada e o peito aberto. Isso traz também um benefício mental, pois a postura certa faz com que tenhamos uma maior sensação de confiança e ânimo. Frequentemente, a postura inadequada é uma consequência do desequilíbrio muscular; por essa razão, os músculos abdominais devem ser fortes e flexíveis, funcionando como a base para que se aproveite por completo a prática de yoga.

Alongamento

Para que tudo isso seja possível, o alongamento é extremamente importante. Afinal, um carro, por exemplo, em um dia frio não vai nem ligar se não aquecer o motor um pouco, né? A mesma coisa com o nosso corpo, que também é uma máquina. O alongamento aquece e leva consciência a cada parte do corpo para que, em meio ao trabalho de força, equilíbrio e resistência, sejamos capazes de estar atentos, sustentando o abdômen/centro do corpo a fim de que a exigência não vá para a coluna e suas estruturas ósseas e musculares.

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Retenções e contrações

Durante os asanas e momentos exigentes da prática de yoga, existem técnicas que possibilitam uma melhor consciência no corpo e proteção da coluna, evitando, com mais segurança, lesões musculares e articulares, além de melhorarem a concentração.  Essas técnicas são chamadas de bandhas (contrações e relaxamentos musculares que influenciam os sistemas nervoso, vascular e glandular); entre elas, as mais usadas são uddiyana bandha, que são as de contração dos músculos abdominais e consciência em seus fluxos de energia (plexos) e a mula bandha, que são as de contração do ânus e da uretra.

Com tudo isso, podemos perceber como o yoga vai além do físico, trabalhando não somente alongamento, postura e amplitude articular e muscular, como também o mental e psicológico, diminuindo o estresse e relaxando e fortalecendo os músculos tensos e flácidos, respectivamente, podendo nos tornar mais saudáveis, nos conhecendo melhor, tendo tudo ao mesmo tempo.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Por que praticar drshti – fixação do olhar – enquanto faz yoga?

Por que praticar drshti – fixação do olhar – enquanto faz yoga?

Sabemos como a mente tende a ser dispersa, e parece que quanto mais pensamos em ficar quietos internamente, mais nossa mente divaga.

Por isso, no yoga, a intenção é que todas as técnicas utilizadas em seu sistema exercitem o estado contemplativo da meditação, isto é, a atenção no momento presente.

Vimos como nos beneficiar com exercícios para os olhos e o quanto fixar o olhar num ponto nos ajuda na concentração.

A prática de hatha yoga facilita o treino da fixação do olhar, drshti, quando propõe fazê-lo enquanto estamos nas posições de yoga, nos asanas.

Priorizando o conforto e sabendo que movimentos diferentes com os olhos poderão ser exigentes, experimentemos essas oportunidades de vivenciá-los sem nos esforçarmos:

– durante a sequência da posição do gato: quando estivermos com a cabeça para a frente, vamos fixar o olhar na ponta do nariz; quando estivermos com a cabeça para baixo, vamos fixar o olhar entre as sobrancelhas;

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– durante os quatro movimentos da cabeça (sentados ou em pé): quando levantarmos a cabeça, vamos fixar o olhar na ponta do nariz; quando abaixarmos a cabeça, vamos fixar o olhar entre as sobrancelhas; quando virarmos o rosto de lado (direito e esquerdo), vamos olhar para trás e para longe;

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– durante uma posição de torção da coluna, quando virarmos o rosto de lado (direito e esquerdo), também vamos olhar para trás e para longe;

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durante a posição do cachorro olhando pra baixo, vamos fixar o olhar no umbigo;

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– durante a posição do triângulo, vamos fixar o olhar na mão;

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– durante posições em que olhamos para cima, como a posição do cachorro olhando para cima, posição do guerreiro I e posição da serpente, vamos direcionar o olhar para o “céu”;

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– durante a posição inicial da saudação ao sol ou na posição do guerreiro, vamos fixar o olhar nos polegares;

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– durante a posição da cabeça no joelho ou a posição da pinça, vamos fixar o olhar nos dedos dos pés;

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– durante a meditação, vamos fixar o olhar entre as sobrancelhas;

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Deixando claro que essas fixações do olhar podem ser feitas com olhos abertos ou fechados, prezando segurança, conforto e respeito aos seus limites, como tudo no yoga. O olhar deve ser suave e delicado, mas intencional, levando um comando mental para que os músculos ao redor dos olhos fiquem relaxados.

Podemos perceber que a lógica desses exercícios é que o olhar acompanhe o movimento e vice-versa, nos ajudando a permanecer “por inteiro” no momento presente. Esse conjunto de consciência no corpo, na respiração, na mente e no olhar traz inúmeros benefícios, que vão além do físico, e a constância da sua prática no yoga lapida nossa atenção, tornando nosso olhar mais atento, mais amoroso e mais paciente com as pessoas ao redor, mas, principalmente, com o nosso ser.

Lembrando que a melhor maneira de entender a teoria é colocá-la em prática. Apesar de parecer complicado, no Studio ShantYoga proporcionamos um ambiente favorável que facilitará o seu desenvolvimento no yoga.

Vejo vocês no próximo post!

Namastê!

Silvia Oliveira

Janelas da alma – como nos beneficiar com exercícios para os olhos

Janelas da alma – como nos beneficiar com exercícios para os olhos

Os olhos são um prolongamento do cérebro, a porta de entrada de luz, as janelas da alma. Nossos olhos são constantemente bombardeados por estímulos externos, o que força nossa vista e gera, entre outras coisas, cansaço visual e estresse mental. Os exercícios para os olhos surgem como solução para minimizar esses efeitos e gerar mais saúde.

O yoga oferece maneiras de treiná-los, estimulando beneficamente o sistema nervoso, favorecendo novas conexões cerebrais, a concentração e a melhora da memória. O trataka é uma delas: uma técnica de purificação dos olhos que consiste em fixar a visão num objeto até os olhos lacrimejarem. Faz parte de um conjunto de técnicas de limpeza do corpo e da mente. Normalmente é usada uma vela acesa para fixarmos profundamente o olhar, porém, entre outros focos, é possível utilizar o próprio dedo.

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Outra forma são as fixações – drshtis, como fixar o olhar na ponta do nariz (nasagra drshti) ou no espaço entre as sobrancelhas (bhrumadhya drshti). A constante prática desses exercícios reduz a tendência dispersiva da mente. Você pode conciliar as posições de yoga, asanas, ao direcionamento do olhar, potencializando a prática. Durante uma posição de torção da coluna, por exemplo, olhando para longe e para trás – à direita ou à esquerda.

No próximo post, veremos outros jeitos de como incluir esse cuidado com as janelas da alma durante a realização do hatha yoga: numa posição desafiadora de equilíbrio, durante a meditação ou até no relaxamento. Dessa forma, é possível incrementar o foco, a concentração e a consciência na sua prática de yoga e na vida.

Namastê!

Silvia Oliveira

Kapalabhati – exercício respiratório e de limpeza

Kapalabhati – exercício respiratório e de limpeza

Que tal fazer um exercício respiratório do hatha yoga, e se beneficiar de maneira geral? É o que acontece quando você pratica o Kapalabhati, considerado um exercício respiratório e de limpeza. Kapalabhati – Kapala (crânio) e bhati (brilhante); portanto significa exercício que faz o crânio brilhar. Além de limpar as passagens nasais e os sinus, limpa a garganta e os pulmões, estimula os músculos e órgãos abdominais, atua beneficamente no sistema nervoso, circulatório e no metabolismo. Vamos começar?

  1. Sente-se de maneira estável e confortável, mantendo a coluna alinhada;
  2. Deixe o ar entrar naturalmente;
  3. Em seguida, deixe o ar sair com a ajuda da contração rápida e vigorosa do abdômen que empurra o ar para fora. O som da saída do ar é rápido como o de um espirro. Repita o movimento.

Importante: Procure não envolver a musculatura do peito, dos ombros, do pescoço e do rosto durante as contrações vigorosas.

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Com a prática é possível aumentar a velocidade, porém sempre priorizando a entrada tranquila e saída rápida do ar empurrado pelo movimento do abdômen. As respirações devem ser sempre nasais e sem pausas entre cada uma. Um ciclo de inspirações e expirações é contado como uma respiração, e um número prescrito de repetições se completa de acordo com a capacidade do aluno. O ideal é praticar esse exercício com acompanhamento. O praticante deve procurar um professor de yoga qualificado para ajudá-lo.

Contraindicações: A kapalabhati não deve ser praticada por pessoas com pressão alta nem baixa, ou que tenham doenças cardíacas coronárias. É contraindicada para quem sofre de problemas nos olhos (por exemplo, glaucoma), nos ouvidos (por exemplo, fluidos nos ouvidos) ou de sangramento nasal. Para aqueles que tiverem esses tipos de problema, recomenda-se que consultem um médico especializado.

O exercício favorece a prática de outros exercícios respiratórios e a meditação. Como essas respirações energizam o corpo, o ideal é que a prática seja feita durante o dia.

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Kapalabhati faz parte de um conjunto de técnicas de limpeza do corpo e da mente que promovem desintoxicação no corpo físico e em nossa fisiologia sutil, nossa parte energética, trazendo benefícios de forma integral para o nosso dia a dia.

Namastê!

Silvia Oliveira