A importância de se colocar em primeiro lugar – Especial Dia das Mulheres

A importância de se colocar em primeiro lugar – Especial Dia das Mulheres

Embora nós mulheres tenhamos ciência dessa importância, por que na maior parte das vezes temos dificuldade de aplica-la no dia a dia?

Sem perceber, estamos priorizando todos ao redor e nos deixando por último. Mas se não estivermos realmente bem, como cuidar de tudo e todos a nossa volta?

Podemos notar na trajetória histórica das mulheres como nas variadas culturas sempre foi esperado de nós esse comportamento, e como nos apropriamos dessa herança de querer “carregar o mundo nas costas”.  Essa característica não é somente feminina, porém, aproveitando o dia elegido para nos homenagear, vou chamar a devida atenção para nós.

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Para conseguir entender um comportamento, uma tendência, inicialmente temos de nos autocompreender, pois, como priorizar o autocuidado, sem conhecer as nossas necessidades?

Talvez você já tenha se autoanalisado e saiba exatamente o que precisa, e se esse for o caso, logo, o próximo passo é colocar em prática. E como já conversei com vocês na postagem “A regra dos 5 segundos e o yoga”, talvez você só precise contar 5, 4, 3, 2, 1 e partir para a ação. Agir na direção das coisas que te fazem bem, das vivências energizantes.

Provavelmente você já se pegou interrompendo algo que havia iniciado que seria para o seu – “exclusivamente seu” – bem; tais como yoga, ginástica, tratamento com massagem etc., devido às demandas externas: seja a família, o trabalho, as contas, esquecendo-se da proposta inicial de dar continuidade nas atividades que são para o seu desenvolvimento, fortalecimento e alegria – e de como investir em você é essencial e só desta forma estará bem para dar suporte de qualidade para quem ama e (também) precisa.

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Nessa fase de pandemia, muitas de nós tivemos que encarar muitos medos, receios e até mesmo erros passados refletidos no agora, podendo estar ainda mais aflitas pelos outros, sejam próximos ou distantes. Portanto, é provável que essa tendência, de querer ser um “polvo com mil braços”, que tenta resolver todas as frentes, esteja a se manifestar nesse momento mais do que nunca. Em todas essas fases e crises, temos duas opções: a de continuar fazendo tudo da mesma forma e, consequentemente, apenas ver os problemas aumentando, ou de aproveitar a oportunidade para mudar, aprendendo a colocar limites, respeitando os seus próprios, dizendo “não” quando preciso e “sim” para si, encontrando tempo para se amar e cuidar. Respeitar o próximo é necessário, porém, respeitar a si mesma acima de tudo é mandatório sempre, e ainda mais agora.

Se você está lendo ente post, provavelmente yoga faz diferença na sua vida ou possa vir a fazer, caso se permita começar – ou recomeçar, assim adentrando num universo de novas percepções, conhecendo, respeitando e cuidando mais e melhor do seu corpo, mente e espírito. Pois, além de apenas um exercício físico, yoga te levará ao autoconhecimento, à autovalorização e ao amor próprio. Neste dia das mulheres, desejemos força para mudança, e perseverança para continuar nela.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Perdoar-se – um dos aspectos de ahimsa, não violência

Perdoar-se – um dos aspectos de ahimsa, não violência

O sistema do yoga é completamente norteado e embasado por seus princípios éticos, os yamas e niyamas; entre eles temos o ahimsa, a não violência.

Esse preceito se mostra importante em seus muitos aspectos, tanto os pessoais quanto os interrelacionais. Para termos paz, o contrário da violência, temos de desenvolver tolerância, paciência e gentileza, pois, em todas as relações, sejam familiares, profissionais ou de amizade, podemos perceber como a mera intenção de manter o bom comportamento pode não sustentar a calma por muito tempo devido a não se estar em paz internamente.

Por isso, a primeira pessoa com quem você tem de praticar ahimsa é consigo mesmo. Isso não significa ser condescendente, vitimado ou irresponsável. A solução está justamente na contramão disso tudo: fazer nossa autoanálise com a lupa do amor e respeito. Reconhecer as próprias dificuldades por um prisma amoroso nos permite recomeçar com nova força a cada dia. Se ontem não consegui fazer o meu melhor em algo proposto, hoje posso me esforçar para lapidar, até mesmo um pouco, aquele comportamento, pensamento ou sentimento, aperfeiçoando-me sem o peso da culpa e do retrocesso que dela decorre, podendo avançar de modo leve.

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Perdoar-se e observar como ser melhor nos mostra a necessidade de tratar o próximo da mesma forma, sendo empático e generoso. Isso não é nada fácil, pois inconscientemente temos a tendência de projetar as próprias mazelas no outro e, por isto, queremos quebrar o espelho.

Vem daí a importância do exercício do autoconhecimento e a razão da existência de uma base ética no yoga que precede os asanas (posições do yoga), os pranayamas (exercícios respiratórios) e a meditação. Sem esse prévio esforço diário de “ser” melhor, buscando um caminho do meio entre o esforçar-se e o respeitar-se, e também entre dar o melhor de si e o reconhecimento dos seus limites como um ser humano passível de erros e enganos, a prática do yoga apenas no “tapetinho” pode mostrar-se infrutífera. Desde sempre ouvimos famosos dizerem ser a paz mundial o seu maior desejo, acabando por tornar o assunto algo simplesmente simbólico, corriqueiro, sem força no mundo presente. No entanto, esse tema é sempre atual, iniciando-se internamente, pois sem ter a paz dentro de nós, não temos como transportá-la para o global.

Sendo assim, se você deseja mais da vida, de si mesmo e do yoga, aproveitará essa sabedoria milenar em todo o seu contexto ao buscar o constante autodesenvolvimento como quem afina um instrumento musical, dosando autossuperação com autorrespeito, conjuntamente da resiliência e da capacidade de rir das próprias quedas.  Assim, se tornará um ser humano melhor, um praticante de yoga para além do tatame, consciente da sua luz.

Namastê!

Silvia Oliveira

As relações entre praticar yoga, amar-se e não se comparar com os outros

As relações entre praticar yoga, amar-se e não se comparar com os outros

“Compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje.” Jordan B. Peterson

Um dos melhores aspectos da prática do yoga é o fato de não se comparar com ninguém, sabendo da intenção de levar as atitudes vivenciadas durante a aula de yoga para o nosso dia a dia. Temos a orientação e inspiração do professor, mas na verdade o asana – posição de yoga – pertence somente a você, levando em consideração sua história corporal, respeitando seus limites e como está se sentindo no momento.

Numa aula conscienciosa de yoga não existe (ou não deveria existir) nenhum tipo de incentivo à comparação. Não se trata de uma aula de exercícios físicos onde o instrutor demonstra enquanto ensina e os alunos buscam imitá-lo a qualquer custo, nem ter como parâmetro a (o) colega ao lado, que pode ter mais ou menos flexibilidade, força ou resistência.

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Numa sala de yoga não há necessidade de espelhos, pois o que buscamos é o nosso espelho interno, desenvolvendo consciência corporal, respiratória e mental, percebendo onde e como estamos no espaço. Portanto, você se compara somente com você mesmo – como está hoje em relação a ontem, e isso com autoconsideração, respeito e amor próprio. Ao mesmo tempo busca render-se ao asana dando o seu melhor e se desfazendo do esforço interno e mental, encontrando o caminho do meio entre o soltar-se e o esforçar-se.

O sistema de hatha yoga nos dá os instrumentos para o autoconhecimento e quanto mais nos conhecemos, mais chances temos de cultivar a autoestima de forma lúcida sem comparar-nos com os demais.

Namastê!

Silvia Oliveira

Autoestima

Autoestima

Como buscar o equilíbrio sem pender nem para o egoísmo nem para a falta de amor próprio?

Sabemos como autoestima é importante, mas como encarar esse assunto num mundo que cultiva os extremos? Desde momentos em que o indivíduo está tão imerso em seus próprios problemas, sem sequer dar importância ao que acontece ao redor, até o ponto da falta de amor próprio, visível por meio de sintomas, como depressão e desgosto de viver.

O que fazemos para entrarmos em contato conosco? Pode ser que, mesmo que queiramos, não saibamos a quem ou a que recorrer para encontrar apoio e conforto. Então, comumente, costumamos buscar os métodos mais conhecidos; dentre esses, um dos mais utilizados é o livro de autoajuda. Mas, esse meio costuma ter muitas influências distorcidas pela mídia em relação a como devemos nos comunicar com o nosso interior e ao modo como nos percebemos. Temos como exemplo, as influências que defendem a visão de que a autoajuda é contrária ao desenvolvimento espiritual, e as inversas, afirmando que essa serve como uma varinha mágica contra os problemas.

Portanto, precisamos de um caminho que nos ajude sem segundas intenções nem influências externas. Na verdade, algo que venha de dentro para fora. Logo, conhecer a si mesmo é a melhor saída.

Encontramos na prática do hatha yoga e seus preceitos éticos um farol que nos conduz a uma trilha que nos encoraja no processo de autorreflexão e autoconhecimento. Entendendo nossos próprios limites podemos enxergar nossas reais potencialidades. Assim, não inflaremos o próprio ego e tampouco nos subestimaremos.

 

 

Como o yoga pode nos ajudar a fortalecer a autoestima de forma equilibrada?

Quando integramos o entendimento da consciência corporal, mental e respiratória à prática do hatha yoga, nosso cérebro libera os comandos para que estejamos mais contentes, focados e lúcidos. Assim, fica mais fácil perceber as próprias emoções e ter mais discernimento de como amar a si mesmo e aos demais na medida certa.

Não temos a ideia exata de qual é essa medida certa, mas com o yoga teremos os instrumentos de autocuidado, os quais sempre poderemos pôr em prática por meio de exercícios, desde psicofísicos e respiratórios até de meditação e concentração, para assim continuarmos em busca da resposta.

Assim, onde quer que estejamos, poderemos nos utilizar dessas ferramentas de autoconhecimento, que irão nos trazer bem-estar e qualidade de vida.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Preceitos éticos do yoga – yamas e niyamas

Preceitos éticos do yoga – yamas e niyamas

O Yoga é  um sistema composto de oito etapas. É como se fosse uma longa e maravilhosa caminhada subdividida em oito grandes passos. Esses passos são bem descritos no texto mais antigo que se conhece sobre o assunto, o Yoga Sutras, escrito por Patanjali, o grande filósofo indiano do século VI a.C.

Para percorrer o caminho, o praticante deve observar sempre os dois preceitos éticos que dão sustentação a todo o sistema. Esses preceitos éticos, os yamas (disciplina externa) e os niyamas (disciplina interna), se tratam de atitudes primordiais que desenvolvem a saúde mental.

Os cinco yamas são:

Ahimsa: não violência;

– Satya: verdade / não mentir;

– Asteya: não roubar;

– Brahmacharya: fazer tudo muito bem feito, da melhor maneira que você conseguir;

– Aparigraha: não acumular / desenvolver o desapego.

Os cinco niyamas são:

– Sauca: pureza / limpeza;

– Santosha: contentamento;

– Tapas: perseverança / disciplina;

– Svadhyaya: auto estudo;

– Isvara-Pranidhana: caminho espiritual.

Os preceitos éticos acima precedem asanas (exercícios psicofísicos), pranayama (exercícios respiratórios)pratyahara (abstração dos sentidos) e samyama (yoga mental).

Pode-se notar que para ser bem-sucedido em sua prática de yoga, é necessário esforçar-se em desenvolver atitudes que expressem a saúde interna (psíquica e espiritual) com os demais e consigo mesmo.

São preceitos encontrados em várias épocas e culturas no mundo e, por isso, Patanjali os chama sarvabhauma, supremos ou universais, pois eles valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.

Namastê!

Silvia Oliveira

A base que fundamenta toda a prática do hatha yoga

A base que fundamenta toda a prática do hatha yoga

Considero primordial o esforço de transformação pessoal antes de tudo.

Desenvolver um corpo forte, ágil e flexível, bem como ter equilíbrio, concentração e tranquilidade mental são benefícios que buscamos e que o yoga nos oferece. Porém, são agradáveis frutos da prática do hatha yoga. A saúde integral, isto é, de corpo, mente e espírito, depende também da atenção ao essencial, por isso vale a pena prestar atenção naquilo que fundamenta nossa prática.

Sabendo disso, há cerca de 2 mil anos, o sábio Patanjali nos mostrou o caminho das pedras. No texto que se tornou conhecido como Yoga Sutras, ele sugere uma prática descrita numa metodologia de oito etapas que depois veio a ser chamada de ashtanga yoga – ou yoga de oito (asta) partes (anga):

1- Aprender a viver em harmonia com os outros (yamas);

2- Manter o corpo, a mente e o espírito saudáveis e felizes (niyamas);

3- Praticar posturas psicofísicas para fortalecer o corpo (asanas);

4- Respirar corretamente para fazer fluir a energia (pranayama);

5- Concentrar nossas forças mentais no interior do ser (pratyahara);

6- Focalizar toda a atenção em determinado objeto (dharana);

7- Repousar em meditação profunda e natural (dhyana);

8- Equanimidade, transconsciência (samadhi).

Os dois primeiros passos, yamas (disciplina externa) e niyamas (disciplina interna) são a base que alicerça toda a prática do hatha yoga. E você pode perguntar: o que isso tem a ver com o meu dia a dia? E pensar: isso deve ser algo difícil de fazer, que só praticantes de yoga muito experientes conseguem aplicar.

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Mas o mais interessante é que vale tanto para o praticante muito experiente quanto para o iniciante: o caminho é o mesmo. Esses princípios éticos são como um farol do processo de transformação individual. Use-os para perceber se está no percurso certo, sempre respeitando o seu ritmo, os seus limites. Note o quanto a sua prática de yoga pode enriquecer sua vida. Talvez nesse ponto você se pergunte: estou mais presente no aqui e agora? E como está a qualidade dos meus pensamentos?

Em nosso blog há mais informações sobre cada um dos yamas e niyamasNossa prática de yoga se beneficiará enormemente se os aplicarmos ao nosso dia a dia.

Namastê!

Silvia Oliveira

Abster-se do desejo de posse – Aparigraha

Abster-se do desejo de posse – Aparigraha

Aparigraha é o quinto yama (preceitos éticos do yoga) e significa abster-se do desejo de posse ou desistir de cobiçar.

A tendência de acumular bens, que a maioria de nós tem, é bastante explorada pela sociedade atual e pela mídia, que incentiva você a consumir mais e mais: o mais avançado, a tecnologia mais revolucionária, o “0 km”.

Sabendo como funciona a natureza humana e nossas tendências, podemos utilizar estratégias que nos ajudem a não ser presa fácil do consumismo e da ganância.

Não possuir com apego é uma maneira de lidar com o que se recebeu da vida. O pensamento baseado no “eu” e no “meu” tem seu lugar e momento, mas, quando invade indiscriminadamente as várias áreas de nossa vida, precisamos rever valores e prioridades. Existe uma diferença essencial entre ter algo ou ser possuído por esse algo.

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O medo de perder, de ser roubado, a dependência e/ou apego a outras pessoas, seja direta ou indiretamente, são fatores que causam estresse emocional e doenças, como depressão, síndrome do pânico e ansiedade. Esses medos e apegos podem ter sua raiz na propensão a acumular e na vaidade. Um exemplo é o apego ao corpo, que deve ser bem cuidado, porém sem exageros e sempre com sensatez.

No hatha yoga é muito fácil confundir o aprimorar-se, o estar cada vez melhor, com o número de posturas (asanas) que se conquista, com a flexibilidade, com a aparência. E a dependência do reconhecimento alheio e a vaidade que atitudes desse tipo geram nos roubam a preciosa paz de espírito, tão importante para o verdadeiro avanço na senda do yoga.

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Somos confrontados a perceber a importância do contentamento, santosha. Eu posso me alegrar por tudo o que tenho, e não me estressar querendo sempre mais e mais. Posso me esforçar, trabalhar e desejar conquistas materiais, porém numa constante revisão de prioridades. Encontro tempo para coisas realmente importantes? Que sustentam o meu ser? Como praticar yoga, meditação ou um hobby, e estar com a família? Ou invisto toda a minha energia para manter um estilo de vida ostensivo?

Simplificar hábitos – esforçando-se para manter apenas o que você precisa e querendo apenas o que precisa, reconhecendo a tendência à vaidade e cobiça, cultivando gratidão por tudo que tem recebido, e possuindo com desapego – forma um caminho que conduz a uma real satisfação, focada no que realmente importa.

Namastê!

Silvia

Moderação dos sentidos – Brahmacharya

Moderação dos sentidos – Brahmacharya

              “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”

1 Coríntios 6:12

A tradução literal de Brahmacharya é “caminhar na consciência de Deus”.  Este é o quarto yama (disciplina externa) que nos orienta a preservar energia e canalizá-la da melhor forma, tendo como farol essa consciência divina.

O ser humano possui necessidades primitivas – por comida, sono, sexo e autopreservação. São estímulos instintivos que precisam ser satisfeitos, porém moderação é a palavra chave que deve guiá-los, para que tenhamos saúde, qualidade de vida e paz de espírito. Brahmacharya também significa fazer as coisas bem feitas de maneira a dedicá-las ao Criador.

Podemos perceber como grande parte da nossa vida gira em torno de satisfazer essas necessidades. Como podemos atender a essas demandas sem desperdiçar tanta energia? E, ao invés disso, direcioná-las com sabedoria, de modo a potencializar nosso desenvolvimento pessoal e consequente autotransformação?

O caminho de equilíbrio para lidar com esse dilema é nem reprimir, nem liberar completamente. Assim como em tudo no yoga, você olha para a situação, reconhece a necessidade em si, como se sente a respeito, e a encara com aceitação. Observa e permite uma atividade moderada. Daí você pode ter o controle de parar, se decidir. Por isso o conceito de brahmacharya também está ligado à castidade, que é a temperança na libido – temperança é guardar o equilíbrio; seus opostos são a luxúria e o destempero.

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A moderação em todas as atividades sensuais permite não desvirtuar a sexualidade.

Sabemos que os exageros, em geral, não são saudáveis. Por isso a importância de ser honesto consigo mesmo. Sem comparar-se com os demais.

Mesmo reconhecendo tudo isso, é difícil conquistar esse equilíbrio. Cultivar o contentamento, santosha, nos ajuda a reconhecer tudo o que já temos e a sermos agradecidos. Permite acalmar nossos sentidos percebendo que os excessos nos esgotam, desconcentram e enfraquecem.

Devemos exercitar o autoestudo, svadhyaya, e desenvolver viveka, discernimento, para fazermos boas escolhas. Como por exemplo na alimentação – que seja nutritiva, equilibrada, revigorante. Em relação ao sono, tanto a falta quanto o excesso mostram um desequilíbrio, e você pode rever hábitos, tirando melhor proveito desse momento que pode ser renovador.

Podemos ser mais seletivos na escolha de companhias, livros, filmes etc., para que sejam proveitosos ao desenvolvimento pessoal, tragam riquezas para a personalidade e favoreçam a sanidade psíquica e espiritual.

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Enfim, não se estresse buscando a perfeição, mas busque fazer tudo muito bem feito, o melhor que você conseguir. Como sempre, não existe receita de bolo para conseguir vivenciar os preceitos éticos do yoga. Cada um os experimentará à sua maneira e, com o devido esforço, se desejar, aprenderá a controlar-se, direcionando da forma mais sábia possível a satisfação dos sentidos com equilíbrio, prazer e alegria.

Namastê!

Silvia Oliveira

NÃO ROUBAR – ASTEYA

NÃO ROUBAR – ASTEYA

A palavra steya significa “roubar”. Quando combinada com o prefixo a, seu sentido é invertido, de modo que asteya significa “não roubar”: este é o terceiro yama.

O yoga é um sistema composto de oito partes e, dentre elas, os yamas e niyamas fornecem os preceitos éticos para aprender a viver em harmonia consigo mesmo e com os outros. Precedem as demais etapas em ordem e importância porque, para ser bem-sucedido em sua prática de yoga, é preciso esforçar-se para desenvolver atitudes em relação aos demais e a si mesmo que expressem sanidade interna (psíquica e espiritual).

Esses preceitos são encontrados em várias épocas e culturas no mundo, e por isso Patanjali os chama sarvabhauma, supremos ou universais, pois eles valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.

Assim como verdade, satya, o exercício de não roubar, asteya, traz paz de espírito e afasta os medos. E esta paz interior é essencial para ter saúde em todas as dimensões da vida. As atitudes externas refletem nossa visão de mundo, sentimentos e pensamentos –aspectos interiores que sofrem inúmeras influências, desde a infância, do ambiente familiar, escolar, profissional etc. E com tantos modelos de comportamento, algumas vezes não muito exemplares, e também nossa própria tendência humana distorcida, é necessário muita força de vontade para fazer as escolhas que realmente beneficiem ao “todo”, seja na convivência em sociedade ou pessoalmente.

Em todos os aspectos da prática do yoga, observamos a necessidade de autodisciplina, ou tapas. No dia a dia, apesar de surgirem inúmeras ocasiões que possam sugerir o roubo de algo material ou sutil de outrem, através de sua consciência disciplinada, conhecedora e praticante dos princípios yogues você fará escolhas benéficas para si e o próximo. E por mais argumentos que a mente possa usar para convencê-lo, através da inteligência treinada em autoestudo, svadhyaya, você terá o arsenal necessário para ser bem-sucedido, sem comprometer sua paz ou o exercício de não violência, ahimsa.

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A aparente vantagem de conquistas fáceis, roubando os bens alheios, deteriora o ser. Esse roubo pode acontecer de muitas maneiras, seja de ideias, de tempo, de paciência do outro. E pode ocorrer em relação a si mesmo. Por exemplo, quando você rouba seu tempo com coisas supérfluas e negligencia as prioritárias.

Vivemos em uma sociedade que valoriza muito mais o ter do que o ser. E muitas vezes essa conduta consumista pode incentivar a posse dos bens materiais a qualquer custo. Daí a importância de cultivar os preceitos do yoga, conhecendo, estudando e praticando.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Verdade x Não mentir -Satya

Verdade x Não mentir -Satya

“A verdade é totalmente interior. Não há que a procurar fora de nós nem querer realizá-la lutando com violência contra inimigos exteriores.” Gandhi

A palavra sat, em sânscrito, significa “aquilo que existe, aquilo que é”. Satya, por sua vez, significa “veracidade” – ver e relatar as coisas como elas realmente são, e não como gostaríamos que fossem.

Como em todos os yamas e niyamas, para conquistar satya é necessário um exercício interno constante, de autoconhecimento. Falar a verdade depende de pensar e sentir a  verdade. E de reconhecer os autoenganos e a tendência do ser humano a enganar os demais.

É preciso ser honesto consigo mesmo. Como estão meus pensamentos? Reconheço minhas emoções de egoísmo, narcisismo e cegueira mental? Sim, a cegueira de não querer ver os problemas, por exemplo. Quantas mentiras não são ditas em forma de fugas, por não querer ver as coisas como realmente são. Exatamente porque, se você olhasse para essas verdades, teria de se transformar.

Por exemplo, durante a prática do hatha yoga, você se observa e identifica como está. Distraído ou concentrado? Sentindo alguma dor ou desconforto? E a respiração? Tranquila ou acelerada? Assim você traz consciência ao corpo, respeitando seus limites, e busca ajustar-se na posição (asana) quando seu corpo encontra conforto e equilíbrio na postura estável, sem contrações dolorosas, sem angústias.

Traz consciência à respiração. Com a prática é possível identificar qual tipo de respiração determinado asana pede. E também consciência na mente, que é estar no momento presente, é cultivar o estado de presença, estar no aqui e agora.

Mas você notou que o primeiro passo foi o reconhecimento de como se está? A aceitação sem mentir, sem se culpar ou enaltecer, sem se martirizar, apenas reconhecer: olhar.

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A mentira costuma percorrer o caminho mais fácil, a verdade segue a vereda do esforço. O desafio é não enganar a si mesmo, não cultivar as ilusões. Com esse treino interno, a expressão da verdade tende a transparecer.

Por isso é preciso estar comprometido com esse caminho da verdade. Assim como tudo no yoga, a expressão da verdade tem de ser na prática. Não adianta nada saber o que é certo e não fazer o que é certo. Pensar, agir com verdade não é impossível. Pode ser difícil, mas não impossível.

A veracidade implica honestidade, bondade e força mental e espiritual.

A honestidade traz paz de espírito e afasta os medos.

O falar deve estar revestido de bondade, de cuidado para não ferir, não magoar, não ofender.

Vivemos em uma cultura de imediatismos, ou seja, não importa o que se pense, fale ou faça, contanto que se consigam benefícios agora. É necessária muita força mental e espiritual para vivenciar a expressão da verdade.

Por isso verdade, satya é parte integrante dos yamas (disciplina externa) e completa a base que fundamenta toda a prática do hatha yoga.

Através do exercício de não mentir é possível lapidar o caráter, cultivar a estabilidade interior e realizar um bem real a si mesmo e ao próximo.

Namastê!

Silvia Oliveira