Reaprender o Prazer de Respirar

Reaprender o Prazer de Respirar

Assim como o nosso organismo é um todo interdependente, o yoga em seu sistema oferece ferramentas para cuidar do corpo, da mente e da respiração, atendendo ao nosso ser integral.

A base para todas as melhorias e benefícios é o controle respiratório.

No yoga, que não tem a respiração como um fim em si, mas como um instrumento inerente a sua prática, valoriza-se a pausa e o prolongamento da expiração.

Respirar profundamente estimula o funcionamento dos órgãos e vísceras (principalmente coração, estômago, rins e intestino) que, por meio dos movimentos respiratórios, recebem uma massagem.

 

 

Por meio da prática do hatha yoga, reaprendemos a respirar de forma consciente, entendendo como a respiração funciona e como usar melhor a nossa capacidade pulmonar — algo que pode ser aprendido e praticado no dia a dia. Equilibrando ritmo, associando técnicas (como os bandhas) e potencializando resultados.

A respiração consciente facilita a prática da meditação e do relaxamento, regula o sistema nervoso e as emoções, trazendo foco e bem-estar.

Fica o convite para começar 2026 com a prática do yoga, reaprendendo a respirar, cultivando a presença e desfrutando a vida com mais calma e consciência.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Benefícios da respiração alternada pelas narinas – nadi shodhanam

Benefícios da respiração alternada pelas narinas – nadi shodhanam

Que tal obter inúmeros benefícios para sua saúde apenas praticando um exercício respiratório? Quer saber como? É bem simples. O nadi shodhanam (nadi = fluxo e shodhana =purificação), também conhecido como nadi suddhi (purificação dos canais energéticos) ou anuloma viloma (a conexão com a ordem natural), é um importante pranayama (exercício respiratório).

Ele atua na purificação dos canais sutis de energia do corpo para o prana (bioenergia do ar) fluir mais, liberando possíveis bloqueios. Equilibra a respiração entre as narinas esquerda e direita, bem como a atividade entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro, exercendo um efeito calmante no sistema nervoso, concentrando a mente para o propósito da meditação.

Proporciona clareza mental, reduz dores de cabeça e enxaqueca, e alivia nervosismo, ansiedade e depressão.

Tem motivos de sobra para desejar aprender? Então vamos à prática!

1) Sente-se numa posição firme e confortável, unindo polegar e indicador (jnana mudra), enquanto repousa as mãos nas pernas com as palmas voltadas para cima;

2) Inicie exalando todo o ar; com o dedo médio da mão direita, obstrua a narina direita, inspirando pela esquerda; enquanto retém a respiração, troque de mão e de narina, e expire lentamente pela narina direita;

3) Inspire por essa mesma narina (a direita); enquanto retém a respiração, troque de mão, troque de narina e expire lentamente pela outra;

4) Continue alternando entre as narinas até realizar uma rodada completa da prática (três respirações de cada lado, completando um total de seis respirações); então, abaixe as mãos e respire gentil e suavemente através das duas narinas;

5) Para uma prática mais profunda, complete mais duas rodadas. Termine expirando pela narina esquerda.

(Esse exercício também pode ser realizado somente com a mão direita, em vishnu mudra (esse gesto envolve dobrar os dedos médio e indicador na direção da palma da mão, e manter o polegar, o dedo anelar e o dedo mínimo estendidos – o polegar é usado para fechar uma das narinas e o anelar é usado para fechar a outra).

Procure coordenar com a respiração completa, percebendo a passagem do ar por toda a capacidade pulmonar, inspirando e expirando de forma lenta e uniforme. Um bom ritmo é inspirar em quatro tempos, reter o ar em sete e expirar em oito (4:7:8). Ou próximo desse tempo, sendo confortável para você. São tempos, não são segundos, porque é o seu tempo.

Assim, você associará a respiração alternada com ritmo, lentidão e respiração completa. O movimento de troca de mãos em frente ao tronco é suave.

Gosto de ensinar nadi shodhanam aliando a alternância das narinas à mudança de mão a fim de facilitar o aprendizado. Ao mesmo tempo simplifica e permite maior relaxamento dos ombros e braços. O gestual harmônico condiz e complementa a interiorização e concentração.

Para aprender exercícios específicos como esse, a orientação de um especialista é sempre desejável. O ideal é ser realizado no contexto de uma prática de hatha yoga completa, onde cada técnica potencializa a outra.

Revigore-se com esse excelente exercício e prepare sua fisiologia física e sutil para o relaxamento e a meditação, levando você a um estado de calma e clareza mental.

Namastê!

Silvia Oliveira

Kapalabhati – exercício respiratório e de limpeza

Kapalabhati – exercício respiratório e de limpeza

Que tal fazer um exercício respiratório do hatha yoga, e se beneficiar de maneira geral? É o que acontece quando você pratica o Kapalabhati, considerado um exercício respiratório e de limpeza. Kapalabhati – Kapala (crânio) e bhati (brilhante); portanto significa exercício que faz o crânio brilhar. Além de limpar as passagens nasais e os sinus, limpa a garganta e os pulmões, estimula os músculos e órgãos abdominais, atua beneficamente no sistema nervoso, circulatório e no metabolismo. Vamos começar?

  1. Sente-se de maneira estável e confortável, mantendo a coluna alinhada;
  2. Deixe o ar entrar naturalmente;
  3. Em seguida, deixe o ar sair com a ajuda da contração rápida e vigorosa do abdômen que empurra o ar para fora. O som da saída do ar é rápido como o de um espirro. Repita o movimento.

Importante: Procure não envolver a musculatura do peito, dos ombros, do pescoço e do rosto durante as contrações vigorosas.

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Com a prática é possível aumentar a velocidade, porém sempre priorizando a entrada tranquila e saída rápida do ar empurrado pelo movimento do abdômen. As respirações devem ser sempre nasais e sem pausas entre cada uma. Um ciclo de inspirações e expirações é contado como uma respiração, e um número prescrito de repetições se completa de acordo com a capacidade do aluno. O ideal é praticar esse exercício com acompanhamento. O praticante deve procurar um professor de yoga qualificado para ajudá-lo.

Contraindicações: A kapalabhati não deve ser praticada por pessoas com pressão alta nem baixa, ou que tenham doenças cardíacas coronárias. É contraindicada para quem sofre de problemas nos olhos (por exemplo, glaucoma), nos ouvidos (por exemplo, fluidos nos ouvidos) ou de sangramento nasal. Para aqueles que tiverem esses tipos de problema, recomenda-se que consultem um médico especializado.

O exercício favorece a prática de outros exercícios respiratórios e a meditação. Como essas respirações energizam o corpo, o ideal é que a prática seja feita durante o dia.

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Kapalabhati faz parte de um conjunto de técnicas de limpeza do corpo e da mente que promovem desintoxicação no corpo físico e em nossa fisiologia sutil, nossa parte energética, trazendo benefícios de forma integral para o nosso dia a dia.

Namastê!

Silvia Oliveira

Quer respirar melhor? Experimente esse exercício natural de limpeza das narinas – jala neti

Quer respirar melhor? Experimente esse exercício natural de limpeza das narinas – jala neti

Já se sentiu com dificuldade para respirar? É horrível, não é? Se você sofre de rinite, sinusite, ou mesmo bronquite sabe bem do que estamos falando. Essa sensação pode ser ainda mais constante na época do outono e do inverno já que há menos chuva e, consequentemente, maior concentração de poluição.

Para se sentir bem, nada melhor que usar uma maneira natural, não? Que tal a jala neti?

A jala neti é um exercício de limpeza das vias respiratórias superiores usando apenas água preparada ou soro fisiológico. Recomendado para os casos que citamos.

Vale muito a pena. Veja abaixo.
Modo de preparo da água
– Use água fervida, bem filtrada ou mineral (água isenta de cloro);
– Coloque uma colher (chá) de sal (preferencialmente, marinho) para cada ½ litro de água;
– Aqueça a água até aproximadamente 36ºC para que seja introduzida no nariz – levemente morna.

Como se faz a limpeza? 
1) Em pé, pernas separadas, tronco inclinado um pouco para a frente para que a água caia na pia ou em qualquer recipiente;
2) Introduza suavemente a ponta do recipiente chamado de lota (cheio de água) na narina que você estiver respirando melhor. Cuidado para não empurrá-lo a ponto de entortar o nariz;
3) Incline lateralmente a cabeça e o tronco, sempre com o nariz apontando para baixo, até que a água comece a sair naturalmente pela outra narina. Durante a passagem da água respire pela boca; não aspire a água pelo nariz;
4) Espere passar toda a água do recipiente, volte à primeira posição e assoe pelo nariz várias vezes para que não fique água dentro;
5) Faça o mesmo com a outra narina.

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É bastante simples a forma como a limpeza é feita. No entanto, alguns cuidados são necessários.

– Inicie esse exercício com alguém que já tenha feito, preferencialmente sob orientação de um professor de yoga experiente;

– Não faça a limpeza olhando para o espelho, pois o nariz deve estar apontado para baixo, para o ralo da pia. A elevação do nariz faz com que a água vá para a garganta ou cause incômodo no ouvido, provocando dor. Cuidado caso tenha o ouvido muito sensível;

– Um desconforto no ouvido após a execução, como em modificação de altitude, é normal e passa em poucos minutos;

– Quando assoar pelo nariz para retirar a água que ainda está dentro, não faça com força. Repita várias vezes, modificando a posição da cabeça;

– Não faça à noite, pois caso ainda tenha sobrado um pouco de água dentro das narinas, isso poderá perturbá-lo;

– Faça até o começo da tarde. Assim, se tiver ficado um pouco de água dentro de suas narinas, sairá naturalmente;

– Não execute jala neti em caso de lesões nasais, inflamações fortes ou sangramento.

Dicas de ouro

– Caso você seja alérgico, faça a limpeza todos os dias durante 45 dias. Isso melhorará sua capacidade de adaptação. Não deixe de fazer mesmo se o nariz estiver entupido.

– Após os 45 dias, passe a fazer por mais um mês, em dias alternados, e mais um mês a cada dois dias. Por fim, faça uma ou duas vezes por semana como todas as pessoas deveriam fazer.

– Se você for alérgico à temperatura, após já ter se acostumado com o exercício, passe a fazê-lo duas vezes em seguida – a primeira com água morna e a segunda com água na temperatura natural durante um mês. Depois passe a fazer apenas com água fria.

Sinta-se bem ao respirar!

Namastê!

Silvia Oliveira

Respiração da alma – Pranayama

Respiração da alma – Pranayama

Respirar profundamente estimula o funcionamento dos órgãos e vísceras (principalmente coração, estômago, rins e intestino), que, por meio dos movimentos respiratórios, recebem uma massagem. O controle da respiração, denominado pranayama, é indispensável para a boa prática do yoga e serve de alicerce para o aprendizado de outras técnicas.

Prana é a energia que está presente em tudo o que é vivo. É a respiração da alma, e rege emoções como entusiasmo, coragem, alegria. Regula também todas as nossas funções orgânicas e físicas. Pedro Kupfer, no Dicionário de Yoga, diz que o volume de prana que circula no corpo determina o grau de vitalidade de cada indivíduo. Entre as principais fontes de prana estão a luz e o calor do sol, alimentos, água e, principalmente, o ar. Mente e prana funcionam como as asas que permitem o voo: a mente é o poder da percepção, e o prana o poder da ação.

No yoga, que não tem a respiração como um fim em si, mas como uma ferramenta inerente à sua prática, valoriza-se a pausa e o prolongamento da expiração. Para aprender exercícios específicos, a orientação de um especialista é sempre indispensável: existem diversos métodos que modulam a ventilação dos pulmões por meio de estímulos diferentes

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O exercício abaixo une pranayama e mentalização, resultando em uma excelente técnica de vitalização.

CARREGAMENTO ENERGÉTICO DO PLEXO SOLAR

A área entre o umbigo e o encontro das costelas (ponta do esterno) é onde se encontra o plexo solar, no corpo físico, e o chakra manipura, no corpo sutil. Tanto um como o outro são condensadores de energia: desse ponto, o influxo energético se espalha para outras partes do corpo. O carregamento dessa bateria tão importante merece cuidados, especialmente daqueles que se sentem fracos, abatidos, indispostos e deprimidos. Essa é uma técnica de vitalização indicada pelo professor Hermógenes no livro Yoga para Nervosos.

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Deite-se de costas, com a cabeça para o norte e as pernas cruzadas, como em sukhássana. Coloque as mãos, com os dedos trançados de maneira que as unhas fiquem em contato com a palma da outra mão, sobre o plexo solar. Tente relaxar o corpo inteiro, desde o rosto até as mãos e os pés.

Inspire lenta e uniformemente, buscando visualizar uma luz quente e dourada que penetra pelo alto da cabeça, flui através do tórax e se detém na linha formada pelas virilhas. Visualize aí o prana represado, que não consegue escapar porque seus pés estão cruzados.

Expire lenta e uniformemente, traga para cima o prana acumulado e imagine que ele gira no sentido horário em seu plexo solar, como se em seu ventre houvesse um relógio cujo mostrador estivesse em seu umbigo. Imagine o maior número possível de círculos enquanto expira, procurando sentir o calor manifestar-se para todo o seu corpo a partir do plexo solar. Procure fazer esse exercício por no mínimo 15 minutos.

Namastê!

Silvia Oliveira