Respiração da alma – Pranayama

Respiração da alma – Pranayama

Respirar profundamente estimula o funcionamento dos órgãos e vísceras (principalmente coração, estômago, rins e intestino), que, por meio dos movimentos respiratórios, recebem uma massagem. O controle da respiração, denominado pranayama, é indispensável para a boa prática do yoga e serve de alicerce para o aprendizado de outras técnicas.

Prana é a energia que está presente em tudo o que é vivo. É a respiração da alma, e rege emoções como entusiasmo, coragem, alegria. Regula também todas as nossas funções orgânicas e físicas. Pedro Kupfer, no Dicionário de Yoga, diz que o volume de prana que circula no corpo determina o grau de vitalidade de cada indivíduo. Entre as principais fontes de prana estão a luz e o calor do sol, alimentos, água e, principalmente, o ar. Mente e prana funcionam como as asas que permitem o voo: a mente é o poder da percepção, e o prana o poder da ação.

No yoga, que não tem a respiração como um fim em si, mas como uma ferramenta inerente à sua prática, valoriza-se a pausa e o prolongamento da expiração. Para aprender exercícios específicos, a orientação de um especialista é sempre indispensável: existem diversos métodos que modulam a ventilação dos pulmões por meio de estímulos diferentes

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O exercício abaixo une pranayama e mentalização, resultando em uma excelente técnica de vitalização.

CARREGAMENTO ENERGÉTICO DO PLEXO SOLAR

A área entre o umbigo e o encontro das costelas (ponta do esterno) é onde se encontra o plexo solar, no corpo físico, e o chakra manipura, no corpo sutil. Tanto um como o outro são condensadores de energia: desse ponto, o influxo energético se espalha para outras partes do corpo. O carregamento dessa bateria tão importante merece cuidados, especialmente daqueles que se sentem fracos, abatidos, indispostos e deprimidos. Essa é uma técnica de vitalização indicada pelo professor Hermógenes no livro Yoga para Nervosos.

chakras

Deite-se de costas, com a cabeça para o norte e as pernas cruzadas, como em sukhássana. Coloque as mãos, com os dedos trançados de maneira que as unhas fiquem em contato com a palma da outra mão, sobre o plexo solar. Tente relaxar o corpo inteiro, desde o rosto até as mãos e os pés.

Inspire lenta e uniformemente, buscando visualizar uma luz quente e dourada que penetra pelo alto da cabeça, flui através do tórax e se detém na linha formada pelas virilhas. Visualize aí o prana represado, que não consegue escapar porque seus pés estão cruzados.

Expire lenta e uniformemente, traga para cima o prana acumulado e imagine que ele gira no sentido horário em seu plexo solar, como se em seu ventre houvesse um relógio cujo mostrador estivesse em seu umbigo. Imagine o maior número possível de círculos enquanto expira, procurando sentir o calor manifestar-se para todo o seu corpo a partir do plexo solar. Procure fazer esse exercício por no mínimo 15 minutos.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Abster-se do desejo de posse – Aparigraha

Abster-se do desejo de posse – Aparigraha

Aparigraha é o quinto yama (preceitos éticos do yoga) e significa abster-se do desejo de posse ou desistir de cobiçar.

A tendência de acumular bens, que a maioria de nós tem, é bastante explorada pela sociedade atual e pela mídia, que incentiva você a consumir mais e mais: o mais avançado, a tecnologia mais revolucionária, o “0 km”.

Sabendo como funciona a natureza humana e nossas tendências, podemos utilizar estratégias que nos ajudem a não ser presa fácil do consumismo e da ganância.

Não possuir com apego é uma maneira de lidar com o que se recebeu da vida. O pensamento baseado no “eu” e no “meu” tem seu lugar e momento, mas, quando invade indiscriminadamente as várias áreas de nossa vida, precisamos rever valores e prioridades. Existe uma diferença essencial entre ter algo ou ser possuído por esse algo.

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O medo de perder, de ser roubado, a dependência e/ou apego a outras pessoas, seja direta ou indiretamente, são fatores que causam estresse emocional e doenças, como depressão, síndrome do pânico e ansiedade. Esses medos e apegos podem ter sua raiz na propensão a acumular e na vaidade. Um exemplo é o apego ao corpo, que deve ser bem cuidado, porém sem exageros e sempre com sensatez.

No hatha yoga é muito fácil confundir o aprimorar-se, o estar cada vez melhor, com o número de posturas (asanas) que se conquista, com a flexibilidade, com a aparência. E a dependência do reconhecimento alheio e a vaidade que atitudes desse tipo geram nos roubam a preciosa paz de espírito, tão importante para o verdadeiro avanço na senda do yoga.

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Somos confrontados a perceber a importância do contentamento, santosha. Eu posso me alegrar por tudo o que tenho, e não me estressar querendo sempre mais e mais. Posso me esforçar, trabalhar e desejar conquistas materiais, porém numa constante revisão de prioridades. Encontro tempo para coisas realmente importantes? Que sustentam o meu ser? Como praticar yoga, meditação ou um hobby, e estar com a família? Ou invisto toda a minha energia para manter um estilo de vida ostensivo?

Simplificar hábitos – esforçando-se para manter apenas o que você precisa e querendo apenas o que precisa, reconhecendo a tendência à vaidade e cobiça, cultivando gratidão por tudo que tem recebido, e possuindo com desapego – forma um caminho que conduz a uma real satisfação, focada no que realmente importa.

Namastê!

Silvia

Moderação dos sentidos – Brahmacharya

Moderação dos sentidos – Brahmacharya

              “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”

1 Coríntios 6:12

A tradução literal de Brahmacharya é “caminhar na consciência de Deus”.  Este é o quarto yama (disciplina externa) que nos orienta a preservar energia e canalizá-la da melhor forma, tendo como farol essa consciência divina.

O ser humano possui necessidades primitivas – por comida, sono, sexo e autopreservação. São estímulos instintivos que precisam ser satisfeitos, porém moderação é a palavra chave que deve guiá-los, para que tenhamos saúde, qualidade de vida e paz de espírito. Brahmacharya também significa fazer as coisas bem feitas de maneira a dedicá-las ao Criador.

Podemos perceber como grande parte da nossa vida gira em torno de satisfazer essas necessidades. Como podemos atender a essas demandas sem desperdiçar tanta energia? E, ao invés disso, direcioná-las com sabedoria, de modo a potencializar nosso desenvolvimento pessoal e consequente autotransformação?

O caminho de equilíbrio para lidar com esse dilema é nem reprimir, nem liberar completamente. Assim como em tudo no yoga, você olha para a situação, reconhece a necessidade em si, como se sente a respeito, e a encara com aceitação. Observa e permite uma atividade moderada. Daí você pode ter o controle de parar, se decidir. Por isso o conceito de brahmacharya também está ligado à castidade, que é a temperança na libido – temperança é guardar o equilíbrio; seus opostos são a luxúria e o destempero.

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A moderação em todas as atividades sensuais permite não desvirtuar a sexualidade.

Sabemos que os exageros, em geral, não são saudáveis. Por isso a importância de ser honesto consigo mesmo. Sem comparar-se com os demais.

Mesmo reconhecendo tudo isso, é difícil conquistar esse equilíbrio. Cultivar o contentamento, santosha, nos ajuda a reconhecer tudo o que já temos e a sermos agradecidos. Permite acalmar nossos sentidos percebendo que os excessos nos esgotam, desconcentram e enfraquecem.

Devemos exercitar o autoestudo, svadhyaya, e desenvolver viveka, discernimento, para fazermos boas escolhas. Como por exemplo na alimentação – que seja nutritiva, equilibrada, revigorante. Em relação ao sono, tanto a falta quanto o excesso mostram um desequilíbrio, e você pode rever hábitos, tirando melhor proveito desse momento que pode ser renovador.

Podemos ser mais seletivos na escolha de companhias, livros, filmes etc., para que sejam proveitosos ao desenvolvimento pessoal, tragam riquezas para a personalidade e favoreçam a sanidade psíquica e espiritual.

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Enfim, não se estresse buscando a perfeição, mas busque fazer tudo muito bem feito, o melhor que você conseguir. Como sempre, não existe receita de bolo para conseguir vivenciar os preceitos éticos do yoga. Cada um os experimentará à sua maneira e, com o devido esforço, se desejar, aprenderá a controlar-se, direcionando da forma mais sábia possível a satisfação dos sentidos com equilíbrio, prazer e alegria.

Namastê!

Silvia Oliveira

NÃO ROUBAR – ASTEYA

NÃO ROUBAR – ASTEYA

A palavra steya significa “roubar”. Quando combinada com o prefixo a, seu sentido é invertido, de modo que asteya significa “não roubar”: este é o terceiro yama.

O yoga é um sistema composto de oito partes e, dentre elas, os yamas e niyamas fornecem os preceitos éticos para aprender a viver em harmonia consigo mesmo e com os outros. Precedem as demais etapas em ordem e importância porque, para ser bem-sucedido em sua prática de yoga, é preciso esforçar-se para desenvolver atitudes em relação aos demais e a si mesmo que expressem sanidade interna (psíquica e espiritual).

Esses preceitos são encontrados em várias épocas e culturas no mundo, e por isso Patanjali os chama sarvabhauma, supremos ou universais, pois eles valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.

Assim como verdade, satya, o exercício de não roubar, asteya, traz paz de espírito e afasta os medos. E esta paz interior é essencial para ter saúde em todas as dimensões da vida. As atitudes externas refletem nossa visão de mundo, sentimentos e pensamentos –aspectos interiores que sofrem inúmeras influências, desde a infância, do ambiente familiar, escolar, profissional etc. E com tantos modelos de comportamento, algumas vezes não muito exemplares, e também nossa própria tendência humana distorcida, é necessário muita força de vontade para fazer as escolhas que realmente beneficiem ao “todo”, seja na convivência em sociedade ou pessoalmente.

Em todos os aspectos da prática do yoga, observamos a necessidade de autodisciplina, ou tapas. No dia a dia, apesar de surgirem inúmeras ocasiões que possam sugerir o roubo de algo material ou sutil de outrem, através de sua consciência disciplinada, conhecedora e praticante dos princípios yogues você fará escolhas benéficas para si e o próximo. E por mais argumentos que a mente possa usar para convencê-lo, através da inteligência treinada em autoestudo, svadhyaya, você terá o arsenal necessário para ser bem-sucedido, sem comprometer sua paz ou o exercício de não violência, ahimsa.

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A aparente vantagem de conquistas fáceis, roubando os bens alheios, deteriora o ser. Esse roubo pode acontecer de muitas maneiras, seja de ideias, de tempo, de paciência do outro. E pode ocorrer em relação a si mesmo. Por exemplo, quando você rouba seu tempo com coisas supérfluas e negligencia as prioritárias.

Vivemos em uma sociedade que valoriza muito mais o ter do que o ser. E muitas vezes essa conduta consumista pode incentivar a posse dos bens materiais a qualquer custo. Daí a importância de cultivar os preceitos do yoga, conhecendo, estudando e praticando.

Namastê!

Silvia Oliveira

 

Verdade x Não mentir -Satya

Verdade x Não mentir -Satya

“A verdade é totalmente interior. Não há que a procurar fora de nós nem querer realizá-la lutando com violência contra inimigos exteriores.” Gandhi

A palavra sat, em sânscrito, significa “aquilo que existe, aquilo que é”. Satya, por sua vez, significa “veracidade” – ver e relatar as coisas como elas realmente são, e não como gostaríamos que fossem.

Como em todos os yamas e niyamas, para conquistar satya é necessário um exercício interno constante, de autoconhecimento. Falar a verdade depende de pensar e sentir a  verdade. E de reconhecer os autoenganos e a tendência do ser humano a enganar os demais.

É preciso ser honesto consigo mesmo. Como estão meus pensamentos? Reconheço minhas emoções de egoísmo, narcisismo e cegueira mental? Sim, a cegueira de não querer ver os problemas, por exemplo. Quantas mentiras não são ditas em forma de fugas, por não querer ver as coisas como realmente são. Exatamente porque, se você olhasse para essas verdades, teria de se transformar.

Por exemplo, durante a prática do hatha yoga, você se observa e identifica como está. Distraído ou concentrado? Sentindo alguma dor ou desconforto? E a respiração? Tranquila ou acelerada? Assim você traz consciência ao corpo, respeitando seus limites, e busca ajustar-se na posição (asana) quando seu corpo encontra conforto e equilíbrio na postura estável, sem contrações dolorosas, sem angústias.

Traz consciência à respiração. Com a prática é possível identificar qual tipo de respiração determinado asana pede. E também consciência na mente, que é estar no momento presente, é cultivar o estado de presença, estar no aqui e agora.

Mas você notou que o primeiro passo foi o reconhecimento de como se está? A aceitação sem mentir, sem se culpar ou enaltecer, sem se martirizar, apenas reconhecer: olhar.

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A mentira costuma percorrer o caminho mais fácil, a verdade segue a vereda do esforço. O desafio é não enganar a si mesmo, não cultivar as ilusões. Com esse treino interno, a expressão da verdade tende a transparecer.

Por isso é preciso estar comprometido com esse caminho da verdade. Assim como tudo no yoga, a expressão da verdade tem de ser na prática. Não adianta nada saber o que é certo e não fazer o que é certo. Pensar, agir com verdade não é impossível. Pode ser difícil, mas não impossível.

A veracidade implica honestidade, bondade e força mental e espiritual.

A honestidade traz paz de espírito e afasta os medos.

O falar deve estar revestido de bondade, de cuidado para não ferir, não magoar, não ofender.

Vivemos em uma cultura de imediatismos, ou seja, não importa o que se pense, fale ou faça, contanto que se consigam benefícios agora. É necessária muita força mental e espiritual para vivenciar a expressão da verdade.

Por isso verdade, satya é parte integrante dos yamas (disciplina externa) e completa a base que fundamenta toda a prática do hatha yoga.

Através do exercício de não mentir é possível lapidar o caráter, cultivar a estabilidade interior e realizar um bem real a si mesmo e ao próximo.

Namastê!

Silvia Oliveira

Não violência – ahimsa

Não violência – ahimsa

“Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz.”

John Lennon

Não violência é sinônimo de paz. É uma paz, entretanto, que provém do esforço interno de ser pacífico – e não da passividade.

O entendimento pacífico entre um casal, na família, na comunidade, na sociedade etc., não significa necessariamente que concordamos com a opinião, a visão, a postura do outro, mas que aceitamos a discordância, que tratamos o próximo da mesma maneira como desejamos ser tratados. E, para ter esse parâmetro, é preciso ser não violento consigo mesmo. Ter respeito por suas necessidades psicológicas fundamentais. Isso é “amar o próximo como a si mesmo”.

Ahimsa é a não violência em suas variadas formas, seja verbal, física e psicológica.  Como ser pacífico num mundo violento? É preciso acreditar na verdade e força que essa paz contém. É necessário um esforço constante de viver pacificamente. De exemplificar essa crença. Não é fácil, mas como todos os princípios que fundamentam a prática do yoga, quando vivenciados, são enriquecedores.

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Grande exemplo de como é possível conquistar importantes transformações sem violência, é Mahatma Gandhi. Ele nos mostrou como responder a agressão. Munido de uma vontade inabalável, enfrentou as injustiças, convicto das verdades em que se baseava. Sem revidar com força física.

Mas tudo isso pode parecer simplesmente uma forma de ser pacato. De ser feito de bobo. De sair perdendo…

Para que todos saiam ganhando, é preciso converter a direção. A forma de lidar. De olhar. Alimentando o cérebro com estímulos pacíficos, equilibrados, iluminados.

Como a prática de yoga pode nos ajudar a ter pensamentos, sentimentos e atitudes mais pacíficos?

Praticar o hatha yoga facilita o caminho do autoconhecimento. Favorece a intimidade consigo mesmo. Com sua mente, corpo e espírito. Primeiro identificando o que não está bem. Estou com raiva? Com medo? Com rancor? Como esses sentimentos inflamam as atitudes violentas em mim? Também percebendo o quanto pode ser violento consigo mesmo. Respeito meus limites? Meu corpo? Minhas necessidades?

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E te ajuda a concentrar, relaxar, a silenciar. A fazer outras conexões cerebrais.

O yoga nos dá os instrumentos para viver dessa maneira mais consciente. Consciente de si, do outro e da natureza. E para isso é importante incorporar os princípios básicos que fundamentam a prática do hatha yoga. Numa trilha em que uma coisa boa leva a outra. A prática de yoga te ajuda a se conhecer melhor, te conduzindo a ser mais pacifico, amoroso e paciente. E notar quando está longe disso e encontrar o caminho de volta ao “ser”.

Namastê!

Silvia Oliveira

DEVOÇÃO – ISHVARA PRANIDHANA

DEVOÇÃO – ISHVARA PRANIDHANA

Lembrando que os niyamas são preceitos que devem reger as atitudes do praticante de yoga em relação a si mesmo, conforme Patanjali prescreve em seus sutras. São um total de cinco, dos quais já vimos quatro, que são: contentamento (santosha), autodisciplina (tapas), autoestudo (svadhyaya) e purificação (saucha). Veremos agora ishvara pranidhana. Ishvara refere-se a toda consciência onipresente; pranidhana significa ”render-se”. Juntas, essas palavras são frequentemente traduzidas como “devoção”, que implica fé. Como você vai direcioná-la, dependerá também de suas crenças. O que percebo é que em essência essa “devoção” se traduz como um expressivo “sim” à vida. Acreditar que existe bondade na vida, que ela é nossa aliada e não inimiga. A famosa frase do Professor Hermógenes mostra essa atitude: “Entrego, confio, aceito e agradeço”. O que não significa apatia ou comodismo.

Quando praticamos hatha yoga, o estado meditativo que permeia toda a prática demanda essa confiança e entrega. Por isso Patanjali em sua codificação do sistema de yoga em oito partes, prioriza a vivência dos preceitos éticos, yamas (disciplina externa) e niyamas (disciplina interna) que precedem os asanas (exercícios psicofísicos), pranayama(exercícios respiratórios), pratyahara (abstração dos sentidos) e samyama (yoga mental).
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O exercício de ishvara pranidhana produz no praticante um estado de espírito sereno, confiante e traz o reconhecimento da interconexão que temos com tudo e com todos ao nosso redor. Assim como precisamos ser cautelosos, práticos e lógicos para sobrevivermos, temos de cultivar a capacidade de realizar, de compreender a real conexão que temos com todos os seres viventes. Esse equilíbrio interno tem correspondência em nosso comportamento no dia-a-dia. Tornando os relacionamentos em todas as áreas da vida mais bem sucedidos e harmoniosos.

Namastê!

Silvia Oliveira
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PURIFICAÇÃO – SAUCHA

PURIFICAÇÃO – SAUCHA

Dentre os cinco niyamas ou preceitos, encontramos purificação, saucha. Um conjunto de técnicas de limpeza do corpo e da mente que promovem desintoxicação.
Os kriyas, processos de limpeza, não são apresentados nos Sutras de Patanjali (sistematização do yoga), e sim no Gheranda Samhita (escritura que descreve uma quantidade significativa de técnicas de purificação ou kriyas). Dentre as técnicas de purificação mais acessíveis à prática, encontramos:
KapalabhatiKapala (crânio) e bhati (brilhante); portanto significa exercício que faz o crânio brilhar. Apesar de ser um exercício respiratório, classifica-se entre os kriyas por sua profunda atuação no cérebro, pulmões e sistema nervoso.
Jala neti – Exercício de limpeza das vias respiratórias superiores (com água preparada ou soro fisiológico).
Trataka (fixar a visão num objeto até os olhos lacrimejarem).
E uma coisa boa conduz a outra, num ciclo virtuoso. A sua prática de asanas (exercícios psicofísicos), kriyas, pranayama, yoganidra (ciência do relaxamento) e meditação, te conduzem naturalmente a ser mais seletivo (a) com a alimentação, com os pensamentos, com a forma de lidar com o ambiente onde vive, com as companhias, com as palavras.

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Tudo no sistema de hatha yoga proporciona essa limpeza tanto do físico, quanto do sutil, pensamentos, sentimentos e emoções. Tanto em relação à higiene, a estética, quanto com o que ouve ou assisti etc. Não somente lapidando o gosto, mas o discernimento. Fazendo bom proveito de tudo com equilíbrio, para sua edificação e bem estar. Desvencilhando-se dos empecilhos ao seu desenvolvimento no yoga e na vida.

ESCRITURAS – SHASTRAS

ESCRITURAS – SHASTRAS

A obra fundamental do sistema filosófico do yoga, foi a de Patanjali, composta em um período incerto situado entre os séculos IV a.C e V d.C.

Patanjali sistematizou o yoga através dos sutras ou aforismos. Sutra significa fio, estando numa sequência ordenada de pequenas frases com amplo e profundo sentido, como que em uma guirlanda na qual o fio sustenta a sequência precisa das flores. Ele sugere uma prática descrita numa metodologia de oito etapas, que  ficou  conhecida como ashtanga yoga ou yoga de oito (asta) partes (anga). Estas partes são as seguintes:

1- Aprender a viver em harmonia com os outros (yamas);

2- Manter o corpo, a mente e o espírito saudáveis e felizes (niyamas);

3- Praticar posturas psicofísicas para fortalecer o corpo (asanas);

4- Respirar corretamente para fazer fluir a energia (pranayama);

5- Concentrar nossas forças mentais no interior do ser (pratyahara);

6- Focalizar toda a atenção em determinado objeto (dharana);

7- Repousar em meditação profunda e natural (dhyana);

8- Equanimidade, transconsciência (samadhi).

Outras escrituras (shastras) diretamente relacionadas ao hatha yoga são:

Hatha Yoga Pradipika – escrito por Svatmarama em uma época imprecisa situada entre os séculos XIV e XVI. O sistema de Svatmarama ficou conhecido como caturanga yoga, significando “sistema de quatro partes”, que são:

asanas (posturas);

pranayama (controle do alento);

mudras – gestos simbólicos feitos com as mãos, posturas e pressões em pontos sensíveis do organismo. Incluindo  bandhas, que significa literalmente um nó, e é aplicada a variadas contrações e relaxamentos musculares com vista a influenciar os sistemas nervoso, vascular e glandular.

nadanusandhana (absorção nos sons internos).

Gheranda Samhita – escrito por Gheranda provavelmente entre os séculos XVII e XVIII. Descreve uma quantidade significativa de técnicas de purificação ou kriyas. O sistema de Gheranda é conhecido como saptanga yoga, ou o sistema de sete partes, sendo elas:

satkarma ou kriyas (técnicas purificatórias);

asanas (posturas);

mudras (técnicas acessórias, travas);

pratyahara (abstração dos sentidos);

pranayama (controle do alento);

dhyana (meditação);

samadhi (equanimidade, transconsciência).

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Sendo o objetivo dessas escrituras nos concederem autoconhecimento, logo, livros de outras culturas sobre o mesmo assunto podem ser úteis ao praticante de hatha yoga. Sempre vale a pena a pesquisa e o aprendizado, utilizando o discernimento (viveka) e cultivando o autoestudo.

Namastê!

Silvia Oliveira

AUTOESTUDO – SVADHYAYA

AUTOESTUDO – SVADHYAYA

Durante os asanas (posturas psicofísicas), pranayama (controle da energia vital através de exercícios respiratórios), meditação e relaxamento, o praticante de yoga realiza um autoestudo que, em sânscrito, chama-se svadhyaya. O svadhyaya, que também significa recolher, relembrar, meditar sobre si mesmo, é um dos cinco niyamas (ou preceitos) do hatha yoga.

E o que vem a ser, exatamente? Consiste na auto-observação, não só na prática de yoga como na vida. O ideal é incrementar esta vivência com o estudo das escrituras (shastras), tendo como chave interpretativa viveka, ou discernimento. Isso quer dizer não aceitar com fé cega tudo que você lê ou ouve, seguir ensinamentos sem verificar como coincide com o seu eu interior, pois isso é o verdadeiro autoestudo: entender a sua verdade.

Por isso é importante estudar os ensinamentos dos mestres e sábios, não somente receber como um resumo de intermediários. Só assim você poderá identificar se as informações ouvidas realmente tem coerência com o que foi ensinado pelos mestres. Ou seja, esse estudo precisa ser desenvolvido em você, e, acima de tudo, deve ser vivido. Como em outras áreas da vida, é preciso autodisciplina para reservar tempo de qualidade para essas leituras, sem tratá-las como uma espécie de horóscopo ou caixinha de mensagens positivas.

Autoconhecimento ou interiorização não é algo misterioso nem precisa estar ligado à religiosidade; afinal, não há nada de místico em conhecer a si mesmo, na verdade é o primeiro passo para efetuar mudanças duradouras e consistentes em sua vida. Sem conhecimento, não há avanço.

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Svadhyaya permite que você não fique iludido, priorizando o que é secundário. E também que você se revise constantemente. Estou aberto aos ensinamentos, sou uma pessoa ensinável? Ou me fecho no conhecido e só aceito o que interessa ao meu ego?

Conseguir trilhar esse caminho do meio é algo exigente, mas traz alegria, contentamento e autoconhecimento. Assim podemos ser pessoas melhores onde estivermos.

Namastê!

Silvia Oliveira